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terça-feira, 15 de setembro de 2015

MINIMIZAR O BOTAFOGO FAZ PARTE DA ELITIZAÇÃO DO FUTEBOL BRASILEIRO

Todo início do campeonato brasileiro de futebol, temos em torno de 12 times que podem ser destacados como prováveis postulantes ao título. Qual campeonato do mundo isto acontece? 
Mas por outros interesses que não são os desportivos ou dos clubes, as Organizações Globo, principal detentora dos direitos de transmissão do futebol brasileiro, implementa uma estratégia de esvaziar alguns importantes clubes, como o Botafogo, Fluminense, Internacional, Grêmio, Cruzeiro e Atlético/MG. É só olhar as cotas de televisionamentos a partir de 2016, onde estes clubes estão num suposto quarto grupo e ganhando quase três vezes menos do Corinthians e Flamengo. Assim o equilíbrio irá para o brejo e a Globo pagará bem menos o que vale pelos direitos de transmissão.
Esta política vai matar a "galinha dos ovos de ouro". A médio prazo teremos no máximo cinco clubes com condições especiais e os demais relegados a disputa das posições intermediarias das competições. Como manter o equilíbrio e a rivalidade com um adversário ganhando de cota de TV mais de R$ 160 milhões;ano e o outro R$ 60 milhões/ano?
No caso do Botafogo. a situação se agrava com o "desprezo" da Globo com a sua torcida e as suas tradições. O alvinegro carioca é o carro-chefe da Série B e onde joga leva bastante público e mesmo assim é relegado a jogar sempre as terças e sextas e quase sempre às 21h30. Poucos jogos do Botafogo foram agendados para os sábados às 16:00. Horário onde os jogos são transmitido para todo o Brasil e com isto aumentando a visibilidade e a possibilidade de conseguir um parceiro para estampar na camisa e assim alavancar suas receitas.
Após 25 rodadas, o Botafogo tem a liderança absoluta da competição, com quatro pontos a frente do segundo colocado e seis pontos da primeira equipe fora da zona de classificação. O clube teve apenas quatro jogos transmitidos pela Globo na competição, são eles: Vitória, Bahia, Luverdense e Santa Cruz. Até a rodada 31, o Botafogo não tem qualquer jogo marcado para o sábado e vale lembrar que isto não é um procedimento usual da emissora.
A torcida fica obrigada a seguir sua paixão em horários que deixam parte dela impossibilitada de comparecer aos estádios. Por conta da pouca visibilidade o clube fica sem os "cacifes" necessários para arrancar uma boa negociação, ainda mais em momentos de crise econômica.
Isto na verdade faz parte de um plano muito maior de transformar alguns grandes clubes, em médios e assim concentrar seus recursos no topo da pirâmide do futebol brasileiro. É o processo que chamo de elitização do futebol brasileiro. Mas a frente a emissora pagará menos pelo mesmo produto. Chegou a hora do Botafogo se juntar a outros grandes do futebol e começar a debater saídas para enfrentar esta estratégia. Outro caminho será se acostumar com um papel secundário do futebol brasileiro.
Hoje é terça-feira e jogamos às 21h30 no estádio Nilton Santos, estaremos lá com certeza apesar do horário e da violência noturna na cidade do Rio de Janeiro. Na próxima rodada jogaremos sexta-feira, às 21h30 em Minas contra o Boa Esporte,  e depois voltaremos a jogar no Nilton Santos, terça-feira, às 19 horas.
Vale tudo pelo Botafogo.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

NOVAS COTAS DE TV É O FIM EQUILÍBRIO DO FUTEBOL BRASILEIRO

Um debate necessário e urgente para o futuro do futebol brasileiro precisa ser feito e parece que os principais dirigentes de clubes do Brasil não tem a coragem de enfrentar o poder da Rede Globo. A nova distribuição das cotas de TV para o período 2016/2018 vai acabar com o atual equilíbrio do futebol brasileiro, é o caminho da espanholização, enquanto os principais países da Europa fazem o caminho ao contrário, inclusive a própria Espanha.


O mais grave é que este processo de priorizar apenas alguns clubes é irreversível. Isto é um processo que ocorre durante os anos e para reverter mais a frente fica praticamente impossível. O exemplo da Espanha não aconteceu no primeiro dia e sim um processo que aconteceu durante os anos e que foi aumentando a distância entre as duas equipes priorizadas, Barcelona e Real Madrid. Hoje o debate é como a Liga Espanhola refaz esta distribuição. O caminho de retorno seria pagar uma cota menor ao Barcelona e Real Madrid durante alguns anos e isto não vai acontecer. Falo isto para apontar a urgência deste debate aqui no Brasil antes que seja tarde demais.


A partir de 2016 o Flamengo e Corinthians receberão cerca de R$ 170 milhões cada anualmente, enquanto o Botafogo receberá menos da metade, R$ 60 milhões. A rivalidade será destruída e ficará impossível concorrer com tal diferença econômica. Para piorar a nossa situação, a Globo pagará na sequência R$ 100 milhões ao Palmeiras e Vasco e R$ 80 milhões ao Santos. O Botafogo fica no quarto grupo, juntamente com o Fluminense, Atlético/MG, Cruzeiro, Grêmio e Internacional, que irão receber apenas R$ 60 milhões. Por último aparecem, Coritiba, Goiás, Sport, Vitória, Bahia e Atlético/PR, que irão receber R$ 35 millhões.

A diferença brutal vai acabar com o Campeonato Brasileiro que é um produto único, onde mais de 10 times entrar com chances de disputar o título. Onde isto acontece no mundo? Portanto, chegou a hora de reabrir o debate ou será o fim e vamos assistir apenas a disputa de dois ou três clubes pelas principais colocações do futebol brasileiro. Os presidentes do Botafogo, Fluminense, Atlético/MG, Cruzeiro, Internacional e Grêmio deveriam puxar este movimento e trazer os demais clubes para um novo debate. Se depender do Flamengo e Corinthians e mais alguns, nada mudará.