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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

COTAS DE TV DOS ESTADUAIS AUMENTA ABISMO ENTRE SUL E NORTE

A cada ano o abismo entre alguns clubes brasileiros vem aumentando, se não bastasse isto, as diferenças entre as regiões também aumentam e numa velocidade maior. A grande culpada disto são as Organizações Globo com sua política de distribuição das cotas de TV, acabando com o que mais interessante existe no futebol brasileiro atual, o equilíbrio entre boa parte das equipes.

A distribuição das cotas de TV e premiações dos dez maiores campeonatos regionais somam R$ 306 milhões numa receita distribuida para 119 clubes. Mas só o eixo SP-RJ vai receber quase 70% do valor total, R$ 212 milhões. Enquanto os outros oito campeonatos ficam com apenas 30%, isto estou incluindo campeonatos importantes como, o gaúcho, mineiro, catarinense, baiano, cearense e pernambucano.

Esta distribuição ajuda a potencializar clubes de menor expressão no Eixo SP-RJ, como o Volta Redonda, que vai jogar a Série C e chega "turbinado" financeiramente para enfrentar adversários com cotas muito menores.

Isto explica um pouco o caminho que os clubes do Nordeste estão fazendo de valorizar o regional Nordestão, a Copa do Nordeste, que distribui R$ 22,4 milhões e esvaziar os estaduais.

A distribuição das cotas tem umas diferenças absurdas, como:

Ponte Preta (R$ 5 milhões) x Bahia e Vitória (R$ 850 mil)
Volta Redonda (R$ 4 milhões) x Náutico, Santa Cruz e Sport (950 mil)
Madureira (4 milhões) x Paraná (450 mil)
Mirasol/SP (3,3 milhões) x Ceará e Fortaleza (800 mil)

Nos números abaixo as diferenças irão ficar bem evidentes.

Campeonato Paulista - R$ 121,09 milhões
Contrato: Globo SP (2016-2019), inclui SporTV e pay-per-view
Alcance da TV aberta: SP (44,2 milhões de telespectadores)
16 clubes (de 12 a 18 jogos para qualquer participante)
Cota: R$ 109,3 milhões
Premiação: R$ 11,79 milhões
Total: R$ 121,09 milhões
Cota 1 (4 times) – R$ 17 milhões (Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo)
Cota 2 (1 time) – R$ 5 milhões (Ponte Preta)
Cota 3 (11 times) – R$ 3,3 milhões (Botafogo, Bragantino, Ferroviária, Ituano, Linense, Mirassol, Novorizontino, Red Bull, Santo André, São Bento e São Caetano)
Premiações: campeão estadual (5 milhões), vice estadual (1,65 milhão), 3º (1,1 milhão), 4º (880 mil), 5º (485 mil), 6º (430 mil), 7º (375 mil), 8º (325 mil), 9º (270 mil), 10º (215 mil), 11º (190 mil), 12º (165 mil), 13º (135 mil), 14º (110 mil), campeão do interior (360 mil), vice do interior (100 mil)
Campeonato Carioca - 91,5 milhões
Contrato: Globo Rio (2017-2024), inclui SporTV e pay-per-view
Alcance da TV aberta: RJ, ES, TO, SE, PB, RN, PI, MA, PA, AM, RO, AC, RR, AP e DF (56,8 milhões de telespectadores)
16 clubes (de 11 a 18 jogos para os grandes)
Cota: R$ 83,6 milhões
Premiação: R$ 7,9 milhões
Total: R$ 91,5 milhões
Cota 1 (4 times) – R$ 15 milhões (Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco)
Cota 2 (4 times) – R$ 4 milhões (Boavista, Madureira, Nova Iguaçu e Volta Redonda)
Cota 3 (2 times) – R$ 2 milhões (Bangu e Portuguesa)
Cota 4 (2 times) – R$ 800 mil (Macaé e Resende)
Cota 5 (4 times) – R$ 500 mil (América, Bonsucesso, Cabofriense e Goytacaz)
Premiações: Campeão estadual (3,5 milhões); vice estadual (1,5 milhão); Taça Guanabara, 1º (1 milhão), 2º, (150 mil), 3º (150 mil) e 4º (150 mil); Taça Rio, 1º (1 milhão), 2º, (150 mil), 3º (150 mil) e 4º (150 mil)
Campeonato Mineiro - R$ 35,8 milhões
Contrato: Globo Minas (2017-2021), inclui pay-per-view
Alcance da TV aberta: MG (20,7 milhões de telespectadores)
12 clubes (de 11 a 16 jogos para qualquer participante)
Cota: R$ 35,8 milhões
Premiação: nada
Total: R$ 36 milhões
Cota 1 (2 times) – R$ 12 milhões (Atlético-MG e Cruzeiro)
Cota 2 (1 time) – R$ 2,8 milhões (América)
Cota 3 (9 times) – R$ 1 milhão (Boa Esporte, Caldense, Democrata, Patrocinense, Tombense, Tupi, Uberlândia, URT e Villa Nova)
Campeonato Gaúcho - R$ 34,8 milhões
Contrato: RBS TV (2018), inclui pay-per-view
Alcance da TV aberta: RS (11,2 milhões de telespectadores)
12 clubes (de 11 a 17 jogos para qualquer participante)
Cota: R$ 33,8 milhões
Premiação: R$ 1 milhão
Total: R$ 34,8 milhões
Cota 1 (2 times) – R$ 11 milhões (Grêmio e Internacional)
Cota 2 (2 times) – R$ 1,5 milhão (Brasil de Pelotas e Juventude)
Cota 3 (8 times) – R$ 1,1 milhão (Avenida, Caxias, Cruzeiro, Novo Hamburgo, São Luiz, São José, São Paulo e Veranópolis)

Premiações: os oito classificados às quartas de final (R$ 100 mil); campeão do interior (R$ 200 mil)
Campeonato Catarinense - R$ 5 milhões
Contrato: NSC TV (2018-2021)
Alcance da TV aberta: SC (6,8 milhões de telespectadores)
10 clubes (de 18 a 19 jogos para qualquer participante)
Cota: R$ 5 milhões
Premiação: nada
Total: R$ 5 milhões
Cota 1 (10 times) – R$ 500 mil (Avaí, Brusque, Chapecoense, Concórdia, Criciúma, Figueirense, Hercílio Luz, Inter de Lages, Joinville e Tubarão)
Campeonato Pernambucano - R$ 3,73 milhões
Contrato: Globo Nordeste (2015-2018), inclui pay-per-view
Alcance da TV aberta: PE (9,2 milhões de telespectadores)
11 clubes (de 10 a 14 jogos para qualquer participante)
Cota: R$ 3,730 milhões
Premiação: nada
Total: R$ 3,73 milhões
Cota 1 (3 times) – R$ 950 mil (Náutico, Santa Cruz e Sport)
Cota 2 (8 times) – R$ 110 mil (Afogados, América, Belo Jardim, Central, Flamengo de Arcoverde, Pesqueira, Salgueiro e Vitória)

Campeonato Baiano - 2,604 milhões
Contrato: Rede Bahia (2016-2020), inclui pay-per-view
Alcance da TV aberta: BA (14,5 milhões de telespectadores)
10 clubes (de 9 a 13 jogos para qualquer participante)
Cota: R$ 2,604 milhões
Premiação: nada
Total: R$ 2,604 milhões
Cota 1 (2 times) – R$ 850 mil (Bahia e Vitória)
Cota 2 (8 times) – R$ 113 mil (Atlântico, Bahia de Feira, Fluminense de Feira, Jacobina, Jacuipense, Jequié, Juazeirense e Vitória da Conquista)
Campeonato Paranaense - 3,596 milhões
Contrato: RPC (2017-2019)
Alcance da TV aberta: PR (10,8 milhões de telespectadores)
12 clubes (de 11 a 17 jogos para qualquer participante)
Cota: R$ 3,596 milhões
Premiação: nada
Total: R$ 3,596 milhões
Cota 1 (2 times) – R$ 450 mil (Londrina e Paraná)
Cota 2 (8 times) – R$ 337 mil (Cascavel, Cianorte, Foz do Iguaçu, Maringá, Prudentópolis, Rio Branco, Toledo e União)
Sem cota (2 times) – em aberto (Atlético-PR e Coritiba)

(*) A dupla Atlético/PR e Coritiba não aceitaram a divisão das cotas propostas

Campeonato Cearense - 2,56 milhões
Contrato: Verdes Mares (2016-2019) e Esporte Interativo (2017-2018)
Alcance da TV aberta: CE (8,8 milhões de telespectadores)
10 clubes (de 9 a 15 jogos para qualquer participante)
Cota: R$ 2,56 milhões/ano
Premiação: nada
Total: R$ 2,56 milhões
Cota 1 (2 times) – R$ 800 mil (Ceará e Fortaleza)
Cota 2 (8 times) – R$ 120 mil (Ferroviário, Floresta, Guarani de Juazeiro, Horizonte, Iguatu, Maranguape, Tiradentes e Uniclinic)
Campeonato Paraense - 2,396 milhões
Contrato: TV Cultura (2018)
Alcance da TV aberta: PA (5,9 milhões de telespectadores)
10 clubes (de 10 a 14 jogos para qualquer participante)
Cota: R$ 2,396 milhões
Premiação: R$ 560 mil
Total: R$ 2,956 milhões
Cota 1 (2 times) – R$ 786 mil (Paysandu e Remo)
Cota 2 (8 times) – R$ 103 mil (Águia, Bragantino, Cametá, Castanhal, Independente, Paragominas, Parauapebas e São Raimundo)
Premiações: campeão estadual (224 mil), vice estadual (168 mil), 3º (112 mil) e 4º (56 mil)

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

AS COTAS DE TV VÃO ACABAR COM O FUTEBOL BRASILEIRO


A nova distribuição das cotas de TV vai acabar com o chamado equilíbrio do futebol brasileiro, em breve não teremos mais 12 clubes lutando pelos títulos, apenas três ou quatro, com os demais cumprindo um papel de coadjuvantes.

No futebol brasileiro atual, os nossos principais jogadores vão cedo para o exterior e as únicas coisas que mantêm o interesse do torcedor é a rivalidade e o equilíbrio técnico, mesmo que as vezes seja medido por baixo. Com as disparidades aumentando nas cotas de TV, isto será jogado no lixo.

Os novos contratos com a Rede Globo para a Série A foram firmados por 3 anos (2016-2018), com Flamengo e Corinthians ganhando um aumento de 54% em relação ao contrato anterior, além de ganhar numericamente, a dupla teve também o maior aumento na porcentagem, o que comprova o que venho dizendo a muito tempo. O futebol brasileiro caminha para o modelo espanhol, onde o Barcelona e Real Madrid, disputam os títulos e as vezes chegando o Atlético de Madrid, os demais apenas lutando pelas posições secundárias.

Valores da Liga Espanhola 2013/2014

VALORES DO NOVO CONTRATO E SUAS DIVISÕES

O Corinthians e Flamengo saem de R$ 110 milhões para R$ 170 milhões, um aumento de R$ 60 milhões, equivalendo a 54% em relação ao contrato anterior.

No "segundo bloco" vem o São Paulo, sozinho, ganhando R$ 110 milhões. Isto é R$ 30 milhões a mais que a cota anterior, representando um aumento de 37%.

No "terceiro bloco" aparecem, Vasco e Palmeiras, saindo de R$ 70 milhões para R$ 100 milhões, com um aumento de 42%

No "quarto bloco" vem sozinho o Santos com uma cota de R$ 80 milhões, que já é menos da metade das cotas do Flamengo e Corinthians. O Santos teve um aumento de R$ 20 milhões em sua cota, representando 33%.

No "quinto bloco" aparecem: Botafogo, Fluminense, Grêmio, Internacional, Atlético/MG e Cruzeiro com uma cota de apenas R$ 60 milhões, com um aumento de R$ 15 milhões em relação a cota anterior, representando um aumento de 33%

No "sexto bloco" estão: Atlético/PR, Curitiba, Goiás, Sport, Vitória e Bahia, todos saindo da cota de R$ 27 milhões para R$ 35 milhões, um aumento de 8 milhões, representando perto de 30%.

Com esta distribuição, como o Sport pode concorrer contra um Flamengo? Como a dupla Fluminense e Botafogo, vão poder manter a rivalidade regional com a dupla Flamengo e Vasco?

Reparem que as diferenças existiam (2011-2012) mais não eram tão gritantes

A GLOBO AINDA TENTARÁ REDUZIR OS VALORES, USANDO AS DIFICULDADES DO CLUBES

A Globo anuncia que vai tentar reduzir ainda mais as cotas de alguns clubes para o novo contrato, com o discurso da crise econômica. Já saiu em algumas páginas na internet, que a Globo propôs ao Botafogo uma redução de R$ 10 milhões/ano até 2018 e uma renovação automática de mais dois anos, indo até 2020. Nos dois últimos anos um aumento de R$ 10 milhões/ano. Em troca a Globo daria ao clube um empréstimo de R$ 40 milhões sem juros, que deve ser quitado em 5 anos. Um absurdo se a atual diretoria aceitar isto. É a morte do Botafogo como potência futebolística no futuro bem próximo.

É PRECISO LIDERAR UM NOVA FÓRMULA NA DISTRIBUIÇÃO DAS COTAS DE TV

O Botafogo precisa liderar conjuntamente com os clubes insatisfeitos e propor uma nova redistribuição das cotas de TV do futebol brasileiro. Inclusive não descartando buscar novos parceiros. Na Europa vários países, inclusive a Espanha, já estão mudando o modelo de venda das cotas de TV, chegando em alguns casos os clubes negociarem individualmente o seu mando de campo.

Podemos ter as diferenças, mas precisamos manter uma distância saudável entre as cotas, afinal os clubes jogam entre si e não sozinhos. Porque dividir as cotas em 3 partes. A primeira parte seria um patamar mínimo para todos. Um segundo, seria um cota técnica, que levaria em conta a classificação dos últimos campeonatos e uma terceira parte que seria presença nos estádios, audiência e a venda de pacotes na TV fechada. esta é uma proposta que poderia ser debatida entre os clubes. Podemos ter várias fórmulas, mas esta atual é que não pode perdurar.