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quinta-feira, 19 de julho de 2018

O FUTEBOL DO PRECONCEITO

Tenho certeza que o gaúcho é amável e solidário, mas tem uma minoria que mancha a história de lutas do povo do sul do país. O que aconteceu no jogo da quarta divisão do campeonato brasileiro, a Série D, foi um show de horrores e preconceito, que a grande mídia inexplicavelmente escondeu.

O texto da jornalista Marcia Marques, da TV Itararé - Campina Grande/PB, demonstra o quanto o ódio de classe tomou conta de parcela da nossa sociedade. Veja abaixo.

Por Márcia Marques

Vou abrir um parêntese para falar de futebol.
Mas não puramente futebol, mas do preconceito que nos cerca desde sempre.

Ontem o Treze (maior rival do meu time do coração) foi até a cidade de Caxias do Sul para um jogo decisivo na famigerada série D. O Caxias estava invicto no campeonato até perder para o Treze aqui na PB semana passada. Pois bem, ontem era a decisão da vaga para a semifinal.

O time paraibano entrou em campo ao som da torcida adversária. Vaiando? não! Gritando: "Bolsa Família! Bolsa Família!"

Os váaarios trezeanos que saíram da PB para o RS (que, diga-se de passagem, não precisam de Bolsa Família) ainda receberam arroz e feijão jogados na cara a caminho do estádio. Gritos de ódio foram proferidos todo tempo. E o futebol e aquela provocação normal entre torcidas virou um verdadeiro show de horrores onde o ódio e o preconceito foram verbalizados e jogados para o alto para que todos pudessem ver.

Em campo, inconformados com a derrota (Sim, o Treze da Paraíba venceu de novo o Caxias do RS), os jogadores partiram pra agressão após o autor do gol trezeano fazer o famoso "cala a boca" pra torcida.

Bateram, espernearam, xingaram...

Mas a Paraíba venceu. E venceu bonito. 3 x 1. E eu, Campinense raiz e de coração, torci para o Treze (e olhe que nem o nome eu falo, hoje já falei umas 10 vezes) e estou orgulhosa de ver meu Estado sambando, aliás, forrozando, na cara de um povo preconceituoso que se acha maior que o Brasil e melhor que o mundo. #SouParaíbaSimSenhor

Márcia Marques
Paraibana de Campina Grande

sexta-feira, 29 de junho de 2018

UM DNA ENFERMO

Twitter de puro ódio que tomou parcela da nossa sociedade
Vou reproduzir partes do bom texto do Jaques Delgado, no Blog da Maria Frô, da Conceição Nascimento, sobre uma análise da situação atual de ódio de classe da nossa sociedade. No final tem o link para o texto completo.

Por Jaques Delgado*

Há dias estava tentando refletir sobre o que acontece hoje no Brasil e confesso que me sinto em dificuldade. Busquei uma explicação e cheguei ao DNA. Só pode ser!


Quando o Brasil foi fatiado em capitanias hereditárias, começou a construir uma ideia de que alguns poucos são donos de quase tudo, os mais nada possuem porque ‘não tem direito’. Simples assim...



...Com o fim da escravidão, o país buscou se branquear, usou mesmo a estratégia da importação de europeus e os ex-escravos tiveram menos acesso às oportunidades de trabalho ou de estudo. História longa, detalhada, é possível encontrar se você não tiver preguiça de procurar...


...Lembro de uma médica que conheci que me contou que a cozinheira preparava a carne para a família, mas comia ovo, afinal é preciso diferenciar uns dos outros. Lembro também que quando morei na Bahia almoçávamos todos juntos, e isso causou espanto à coleguinha de minha filha, que perguntou candidamente: ‘ela – a empregada – é italiana?’, pois Lucia comia à mesa conosco. Simples assim. Muitos crescemos em um país assim.

Apesar de ter estudado em colégio público, entrei na USP e descobri que era pobre, logo na primeira semana de aulas. Eu era ingênuo, mas notava que meus amigos que usavam roupas rasgadas – em 79 não era moda – iam de carro próprio à universidade, um presente assim que completavam dezoito aninhos. Eu ia à faculdade durante o dia e, à noite, trabalhava como professor do MOBRAL (o movimento brasileiro de alfabetização). O trabalho era geralmente na periferia de São Paulo, muitas vezes em lugares perigosos, o risco de assalto era constante.
Comecei a frequentar a casa de alguns alunos do Mobral, fiz amizades, aprendi a dançar forró e lambada e transformei um pouquinho o meu DNA...

..Continuei trabalhando, me formei, passei a dar aulas na faculdade, trabalhei em cursinho e consultório, atravessei um oceano e cheguei à Itália. Publiquei um livro sobre a Reforma Psiquiátrica Italiana e voltei ao Brasil para divulgar uma ideia.


Dois anos viajando, encontrando gente, aprendendo, ensinando. Os loucos de manicômio eram quase todos pobres, excluídos, sem quaisquer direitos, a lata de lixo da história...


...Quando tento dar minha opinião sobre o que acontece no Brasil, uma pessoa querida do meu campo de afeto, que amo, me diz ‘você mora fora, então não sabe o que se passa aqui’. É a mesma pessoa que assiste Globo News, programa conduzido por Lucas Mendes, de Nova Iorque, e por aquele Mainardi, de Veneza. Tento entender, mas fica difícil.


Outro dia publiquei números referentes à economia no Brasil antes e depois de Lula. Uma pessoa querida comentou que eram apenas números. Novamente me faltaram palavras. Por isso apelei ao DNA! Na minha modestíssima opinião, muitos brasileiros estão contaminados por um vírus que atingiu seu sistema nervoso, e que provoca alteração da percepção de realidade, confusão mental e extrema agressividade.


A vesícula biliar também sofre, gerando explosões de produção de bílis e ataques de histeria. O quadro é tão grave que compromete totalmente a faculdade da coerência. É inacreditável, mas muitos desses brasileiros gritam que são contra a corrupção usando camisetas da CBF – uma das entidades mais corruptas da recente história brasileira.


Percebo em muitas delas uma aversão aos pobres, um desprezo herdado das oligarquias. Têm dificuldade para reconhecer o valor do trabalho e muitos, de origem humilde, acreditam ser ricos e se identificam completamente, em termos de valores, com os antigos donos das capitanias hereditárias. Falta um espelho honesto a toda essa gente.
O Brasil, daqui a um tempo, vai olhar para trás com tristeza. Alguns já o fizeram, e ficaram mudos de vergonha.


Nunca como hoje é necessário ter coragem de escolher o lado certo da historia. O lado da universidade pública, o lado do SUS, o lado do pré-sal destinado à saúde e à educação, o lado que tenta reparar séculos de escravidão com a política de inclusão e de cotas. O lado que sabe que os direitos trabalhistas não são um privilégio, o lado que tem consciência que sem distribuição de renda o Brasil será cada vez mais um território de faroeste, onde poucos estarão seguros em condomínios de luxo, muitos serão ‘eliminados’ sem piedade, tantos arriscarão a vida para trabalhar ou estudar. São pessoas que enchem a boca quando vêm à Europa, mas não percebem que aqui a distribuição de renda é a regra, e que a servidão não faz parte do cotidiano.

O Brasil caminha para ser um país no qual as mulheres continuarão a ser ‘corpos para o deleite’, um país no qual gays podem ser torturados e assassinados. Um país sem empatia, sem noção de justiça social, um país destroçado.


Um país que festeja a prisão do maior presidente que já teve. Um presidente que ousou pensar naqueles em que ‘ninguém’ pensa. Você ainda tem chance de escolher e construir um país melhor, mas se não o fizer não se esconda daqui há alguns anos, atrás de desculpas esfarrapadas...

...Lula na cadeia, fruto de um processo todo fraudado, com mais buracos que um queijo suíço, nas mãos de juízes a serviço do imperialismo dos EUA, que recebem privilégios desde sempre e que acreditam que existe um país para ricos e outro para pobres, é algo que envergonha o país diante da comunidade internacional.


Ainda dá tempo de escolher o lado.

*Jaques Delgado, brasileiro, vive na Itália. Depois de formado em Psicologia pela USP, iniciou sua atividade como psicoterapeuta. E autor do livro A loucura na sala de jantar, São Paulo: Resenha, 1991.

Texto Completo: Clique Aqui

segunda-feira, 23 de maio de 2016

REDE GLOBO TRANSFORMA O BRASIL NUM PAÍS DE ÓDIO E PRECONCEITO

O Haitiano, Getho Mondesir atacado por racistas e xenófobos 

A grande mídia brasileira, liderada pela Rede Globo, tanto tentou que conseguiu e transformou o nosso país num território de ódio, xenofobia e racismo. Vários episódios acontecem em todo o Brasil, principalmente, nas regiões sul e sudeste.

As agressões por racismo e xenofobia são cada vez mais frequentes na cidade de Foz do Iguaçu e o mais recente me deixou escandalizado com a brutalidade e ignorância. 

O Haitiano Getho Mondesir, trabalhador e estudante de Administração Pública e Políticas Sociais, contemplado pelo programa Pró-Haiti da Universidade da Integração Latino-Americana, foi atacado por seis indivíduos quando passava em frente a um bar de noite, a caminho da casa do seu filho. Os homens diziam "Você só está aqui por causa da Dilma" e completando a frase com palavras racistas, que prefiro não falar. Mesmo caído o Haitiano foi chutado e atacado com garrafas de vidro.

O pior é que a polícia local deu pouca importância para o caso e seu atendimento médico foi recusado. Isto é só um fato entre centenas que tem acontecido no nosso país, que sempre teve um povo amável e fraterno, que recebeu em suas história diversos imigrantes e com culturas bastante diferentes.

A Rede Globo que fomenta o ódio ao Partido dos Trabalhadores e a tudo que representa o povo mais humilde deste país, é a grande culpada pelo Brasil se transformar no país do ódio e da intolerância. O povo brasileiro sempre acreditou na união dos povos, no compartilhamento das culturas e por isto, devemos combater com veemência qualquer ato que não respeite os direitos humanos.