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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

TRUMP ENGANA BOLSONARO E BRASIL PERDE MERCADO CHINÊS

O presidente do EUA, Trump, publicou no seu twitter: "Se concluirmos o acordo com a China, nossos grandes fazendeiros americanos serão tratados melhor do que jamais foram tratados antes!".

Depois de "servir" as maluquices de Trump, na Venezuela, de sempre bater continência para o presidente americano, mesmo quando mandou o segundo escalão na sua posse, Bolsonaro, deu um prejuízo incalculável aos produtores de soja, principalmente no Centro-Oeste brasileiro. 

Com a proximidade do acordo comercial entre a China e os EUA, os chineses sinalizam com a compra de 10 milhões de toneladas de soja americana e carnes, que antes saiam das fazendas brasileiras. Vale lembrar que este setor da economia brasileira, declarou apoio ao Bolsonaro.

Será que vão aumentar o exército de arrependidos que já tem pelo Brasil a fora?

Este episódio reflete bem a inexistência da política comercial externa do país. Bolsonaro, dirige o Brasil como se ainda estivesse em campanha para ferrar o PT e a esquerda. Não caiu a ficha, que a a faixa presidencial vai pesar sobre seus ombros com todas as atitudes que toma a frente do país.

Bolsonaro, olhou para a China como o adversário político e não como o maior parceiro comercial do Brasil. Se continuar neste caminho, aí sim as elites e povo deste país, que acreditaram nas falácias da família, vão conhecer o que é um país quebrado de verdade.

Fonte: Brasil247

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

CHARGE: COMEÇA A CAIR A MÁSCARA DA POLÍTICA ENTREGUISTA DE JAIR BOLSONARO

A charge do Benett, publicada na sua página no Facebook e no site A Charge On Line, representa bem a diferença entre o discurso e a pratica. Para o eleitorado interno, a família Bolsonaro faz um discurso de país forte e nacionalista, mas na política externa, desce as calças para os ianques.

A imagem de um Boné na cabeça do filho do Bolsonaro, nos EUA, com os dizerem que o país norte-americano é uma poderosa nação, foi o escancaramento da política entreguista que o atual governo vai colocar em prática a partir de janeiro de 2019.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

O FORTALECIMENTO DA REPÚBLICA DAS BANANAS


A charge do Simanca, publicada no Facebook e no site a Charge On Line, retrata bem a visão dos EUA em relação ao novo governo brasileiro. Bolsonaro já declarou briga com o gigante chinês, que tem trilhões de investimentos no país, como no setor hidrelétrico. 

Também arrumou problemas com a disputa histórica entre Israel e o mundo árabe, quando diz que vai colocar a embaixada brasileira onde o governo israelense pedir, mas esquece que os árabes compram muito mais produtos brasileiros que Israel. Esta política só interessa e agrada os EUA, com sua lógica imperialista vai transformar ainda mais o Brasil na "República das Bananas".

Aos EUA vai grande parcelas das nossas riquezas, como o pré-sal e tudo as custas dos direitos da classe trabalhadora. Quem viver verá!

sexta-feira, 27 de julho de 2018

CARTA DOS CONGRESSISTAS DOS EUA POR MARIELLE E LULA

site de Lula divulgou o texto em inglês e a versão em português, que reproduzo abaixo, enviada hoje por 29 congressistas dos EUA – entre eles o senador Bernard (Bernie) Sanders – em que pedem ao governo brasileiro que investigue o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco e garanta o “devido processo legal” para o ex-presidente Lula, “ após um processo judicial altamente questionável e politizado, no qual seus direitos processuais foram aparentemente violados”. O que, dizem eles, dá “razão para acreditar que o principal objetivo de sua prisão é impedi-lo de concorrer nas próximas eleições”.
Veja o texto, a íntegra.
Caro Embaixador Sergio Silva do Amaral:
Nós somamos nossas vozes aos recentes pedidos dos ex-presidentes do Chile e da França, Michelle Bachelet e François Hollande, bem como do ex-primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, em oposição à intensificação do ataque à democracia e aos direitos humanos no Brasil.
Nos últimos meses, Marielle Franco, vereadora e defensora de direitos humanos amplamente admirada, foi morta em um assassinato executado profissionalmente, enquanto o principal candidato presidencial para as eleições de outubro no Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, foi preso por acusações não comprovadas.
Nós respeitosamente pedimos que você trabalhe para facilitar uma investigação independente sobre o assassinato da Sra. Franco; apoiar os direitos dos trabalhadores brasileiros; e trabalhe para assegurar que o Presidente Lula tenha seu direito constitucional ao devido processo legal garantido.
Em março, nós ficamos horrorizados em saber sobre a execução da vereadora da cidade do Rio de Janeiro, Marielle Franco, uma corajosa defensora dos direitos das mulheres afro-brasileiras e membros da comunidade LGBTQ, e uma destemida ativista contra os assassinatos de jovens pela polícia nas favelas do Rio. Evidência críveis sugerem que membros das forças de segurança do Estados poderiam estar implicados no assassinato.
Em abril, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi preso após um processo judicial altamente questionável e politizado, no qual seus direitos processuais foram aparentemente violados. Os fatos do caso do Presidente Lula nos dão razão para acreditar que o principal objetivo de sua prisão é impedi-lo de concorrer nas próximas eleições.
O Brasil é atualmente o lugar mais perigoso do mundo para os defensores dos direitos à terra e recursos naturais, segundo a Global Witness. O respeitado grupo de direitos humanos Comissão Pastoral da Terra documentou mais de 70 assassinatos de defensores dos direitos da terra em 2017, incluindo muitos líderes de comunidades indígenas e membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. A grande maioria desses assassinatos ficou impune.
Além disso, desde que assumiu o poder por meio de um controverso processo de impeachment, o governo de extrema-direita do presidente Temer instituiu um congelamento de gastos que desencadeou importantes cortes em programas vitais de saúde e educação, e promoveu um total ataque aos direitos dos trabalhadores. Em fevereiro de 2018, o comitê de especialistas da Organização Internacional do Trabalho descreveu as mudanças de 2017 do governo Temer no direito dos trabalhadores de barganhar coletivamente como “não baseadas em negociações, mas na abdicação de direitos”. Nós encorajamos seu governo a usar sua autoridade para evitar mais ataques aos trabalhadores.
Nós também exortamos as autoridades judiciais e políticas brasileiras para que garantam eleições justas e proteções aos direitos humanos: os tribunais brasileiros devem avaliar prontamente os méritos das acusações contra o presidente Lula, em que nenhuma evidência material foi apresentada como prova das acusações de corrupção do ex-presidente. Como exortaram ex-líderes do governo europeu, o presidente Lula deve ter sua liberdade concedida enquanto as apelações à sua condenação estão pendentes, de acordo com as garantias constitucionais do Brasil. A luta contra a corrupção não deve ser usada para justificar a perseguição de opositores políticos ou negar-lhes o direito de participar livremente das eleições.
Também esperamos ver justiça no caso de Marielle Franco, com os autores de seu assassinato capturados e processados, e medidas sendo tomadas para proteger outros ativistas corajosos que colocam suas vidas em risco denunciando a violência e a injustiça do Estado. Nós nos juntamos aos apelos por uma investigação internacional independente sobre seu assassinato.
Atenciosamente,
Mark Pocan (D-WI), Raúl M. Grijalva (D-AZ), Bernard Sanders (I-VT), Ro Khanna (D-CA), Jan Schakowsky (D-IL), Keith Ellison (D-MN), Pramila Jayapal (D-WA), Barbara Lee (D-CA), Adriano Espaillat (D-NY), Eleanor Holmes Norton (D-DC), José Serrano (D-NY), Rosa DeLauro (D-CT), James McGovern (D-MA), Maxine Waters (D-CA), Jamie Raskin (D-MD), Frank Pallone (D-NJ), Zoe Lofgren (D-CA), Alan Lowenthal (D-CA), Alma Adams (D-NC), Yvette Clarke (D-NY), Bobby Rush (D-IL), Linda Sánchez (D-CA), Peter Welch (D-VT), Robert Brady (D-PA), Henry C. “Hank” Johnson, Jr. (D-GA), Karen Bass (D-CA), David Price (D-NC), Luis Gutiérrez (D-IL), Derek Kilmer (D-WA)
Fonte: Tijolaço

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

ENQUANTO ISTO NA ALEMANHA


Os movimentos direitistas, como o MBL e o governo Temer, atacam as universidades públicas no Brasil, mas na Alemanha, elas são fortalecidas e atraem jovens de diversas partes do mundo, para um estudo barato e de qualidade. 

Enquanto muitos no Brasil gostam de comparar as coisas com o EUA, mas é de lá onde vai a maioria dos jovens que buscam as universidades alemãs. O modelo americano é muito caro, enquanto as universidades na Alemanha, dão a oportunidade de ter um curso barato e com muita qualidade.

Nos últimos três anos, o número de jovens americanos que estudam nas universidades alemãs aumentou em 20%, hoje já são mais de 4,6 mil.

Enquanto a Alemanha aboliu a cobrança de matrícula para os alunos do país e estrangeiros, nos EUA os estudantes contraíram dívidas para pagar a universidade, que chegaram a marca de R$ 4,9 bilhões.  

Um estudante de Física na Universidade Técnica de Munique, uma das mais renomadas da Europa, paga apenas uma taxa de R$ 380,00, por semestre. Vale ressaltar que este valor já inclui o direito de usar o transporte público gratuitamente.


Um estudante americano estudando na Alemanha, ele economiza após quatro anos, em torno de R$ 200 mil. Nos EUA um estudante paga numa universidade privada, em torno de US$ 50 mil (R$ 180 mil) em matrículas e mensalidades. Nas públicas cobram US$ 9 mil (R$ 20 mil), para os alunos que residem no próprio estado da entidade de ensino.

"Não queremos que a possibilidade de entrar na universidade dependa do status social, nem que o intercâmbio entre países dependa unicamente de aspectos financeiros". Afirma o secretário para assuntos de ciência de Berlim, Steffen Krach.

Krach ainda diz: "Se um país educa bem sua força de trabalho, isso beneficia todo o país.

Quando descobriu esta oportunidade, uma mãe americana se pergunta por que o seu país não pode oferecer a seu filho uma educação de qualidade a um preço acessível. "Sinto que ele tem uma educação maravilhosa, de forma completamente gratuita. Por que não podemos fazer o mesmo aqui?

O Brasil não pode regredir, precisa avançar para fortalecer as suas universidades públicas e gratuitas e não destruí-las, como defendem o MBL, os bolsomitos e todos o que representam o retrocesso.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

A TERCEIRA GUERRA MUNDIAL?

Pesquisando na internet opiniões sobre a crise entre EUA e Rússia, para tentar entender mais profundamente o que está em jogo neste processo, encontrei um belo artigo no site Correio do Brasil do Boaventura de Sousa Santos, que é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal). Vale a pena ler com muito cuidado e atenção.


A Terceira Guerra Mundial?

Tudo leva a crer que está em preparação a terceira guerra mundial, se entendermos por “mundial” uma guerra que tem o seu teatro principal de operações na Europa e se repercute em diferentes partes do mundo. É uma guerra provocada unilateralmente pelos EUA com a cumplicidade ativa da Europa. O seu alvo principal é a Rússia e, indiretamente, a China. O pretexto é a Ucrânia. Num raro momento de consenso entre os dois partidos, o Congresso dos EUA aprovou no passado dia 4 de dezembro a Resolução 758 que autoriza o Presidente a adotar medidas mais agressivas de sanções e de isolamento da Rússia, a fornecer armas e outras ajudas ao governo da Ucrânia e a fortalecer a presença militar dos EUA nos países vizinhos da Rússia. A escalada da provocação à Rússia tem vários componentes que, no conjunto, constituem a segunda guerra fria. Nesta, ao contrário da primeira, a Europa é um participante ativo, ainda que subordinado aos EUA, e assume-se agora a possibilidade de guerra total e, portanto, de guerra nuclear. Várias agências de segurança fazem planos já para o Day After de um confronto nuclear.
Os componentes da provocação ocidental são três: sanções para debilitar a Rússia; instalação de um governo satélite em Kiev; guerra de propaganda. As sanções são conhecidas, sendo a mais insidiosa a redução do preço do petróleo, que afeta de modo decisivo as exportações de petróleo da Rússia, uma das mais importantes fontes de financiamento do país. O orçamento da Rússia para o próximo ano  foi elaborado com base no preço do petróleo à razão de 100 dólares por barril. A redução do preço combinada com as outras sanções e a desvalorização do rublo agravarão perigosamente o déficit orçamental. Esta redução trará o benefício adicional de criar sérias dificuldades a outros países considerados hostis (Venezuela, Irã e Equador). A redução é possível graças ao pacto celebrado entre os EUA e a Arábia Saudita, nos termos do qual os EUA protegem a família real (odiada na região) em troca da manutenção da economia dos petrodólares (transações mundiais de petróleo denominadas em dólares), sem os quais o dólar colapsa enquanto reserva internacional e, com ele, a economia dos EUA, o país com a maior e mais obviamente impagável dívida do mundo.
O segundo componente é o controle total do governo da Ucrânia de modo a transformar este país num estado satélite. O respeitado jornalista Robert Parry (que denunciou o escândalo do Irã-contra) informa que a nova ministra das finanças da Ucrânia, Natalie Jaresko, é uma ex-funcionária do Departamento de Estado, cidadã dos EUA, que obteve cidadania ucraniana dias antes de assumir o cargo. Foi até agora presidente de várias empresas financiadas pelo governo norte-americano e criadas para atuar na Ucrânia. Agora compreende-se melhor a explosão, em fevereiro passado, da secretária de estado norte-americana para os assuntos europeus, Victoria Nulland: “Fuck the EU”. O que ela quis dizer foi: “Raios! A Ucrânia é nossa. Pagamos para isso”.
O terceiro componente é a guerra de propaganda. Os grandes media e seus jornalistas estão a ser pressionados para difundirem tudo o que legitime a provocação ocidental e ocultarem tudo o que a questione. Os mesmos jornalistas que, depois dos briefings nas embaixadas dos EUA e em Washington, encheram as páginas dos seus jornais com a mentira das armas de destruição massiva de Saddam Hussein, estão agora a enchê-las com a mentira da agressão da Rússia contra a Ucrânia. Peço aos leitores que imaginem o escândalo mediático que ocorreria se se soubesse que o Presidente da Síria acabara de nomear um ministro iraniano a quem dias antes concedera a nacionalidade síria. Ou que comparem o modo como foram noticiados e analisados os protestos em Kiev em fevereiro passado e os protestos em Hong Kong das últimas semanas. Ou ainda que avaliem o relevo dado à declaração de Henri Kissinger de que é uma temeridade estar a provocar a Rússia. Outro grande jornalista, John Pilger, dizia recentemente que, se os jornalistas tivessem resistido à guerra de propaganda, talvez se tivesse evitado a guerra do Iraque em que morreram até ao fim da semana passada 1.455.590 iraquianos e 4801 soldados norte-americanos. Quantos ucranianos morrerão na guerra que está a ser preparada? E quantos não-ucranianos?
Estamos em democracia quando 67% dos norte-americanos são contra a entrega de armas à Ucrânia e 98% dos seus representantes votam a favor? Estamos em democracia na Europa quando países da UE membros da NATO podem estar a ser conduzidos, à revelia dos cidadãos, a travar uma guerra contra a Rússia em benefício dos EUA, ou quando o parlamento europeu segue nas suas rotinas de conforto enquanto a Europa está a ser preparada para ser o próximo teatro de guerra, e a Ucrânia, a próxima Líbia?

As razões da insanidade

Para entender o que se está a passar é preciso ter em conta dois fatos: o declínio dos EUA enquanto país hegemônico; o negócio altamente lucrativo da guerra. O declínio do poder econômico-financeiro é cada vez mais evidente. Depois do 11 de Setembro de 2001, a CIA financiou um projeto chamado “projeto profecia” destinado a prever possíveis novos ataques aos EUA a partir de movimentos financeiros estranhos e de grande envergadura. Sob diferentes formas, esse projeto tem continuado, e um dos seus participantes prevê o próximo crash do sistema financeiro com base nos seguintes sinais: a Rússia e a China, os maiores credores dos EUA, têm vindo a vender os títulos do tesouro e em troca têm vindo a adquirir enormes quantidades de ouro; estranhamente, este títulos têm vindo a ser comprados em grandes quantidades por misteriosos investidores belgas e muito acima da capacidade deste pequeno país (especula-se se o próprio banco de reserva federal não estará envolvido nesta operação); aqueles dois países estão cada vez mais a usar as suas moedas e não os petrodólares nas transações de petróleo (todos se recordam que Saddam e Kadafi  procuraram usar o euro e o preço que pagaram pela ousadia); finalmente, o FMI (o cavalo de Troia) prepara-se para que o dólar deixe de ser nos próximos anos a moeda de reserva e seja substituída por uma moeda global, os SDR (special drawing rights).
Para os autores do projeto profecia, tudo isto indica que um ataque aos EUA está próximo e que para este se defender tem de manter os petrodólares a todo o custo, assegurando o acesso privilegiado ao petróleo e ao gás, tem de conter a China e tem de debilitar a Rússia, idealmente provocando a sua desintegração, tipo Iugoslávia. Curiosamente, os “especialistas” que veêm na venda da dívida uma atitude hostil por parte de potências agressoras são os mesmos que aconselham os investidores norte-americanos a procederem da mesma maneira, isto é, a desfazerem-se dos títulos, a comprar moedas de ouro e a investirem em bens sem os quais os humanos não podem viver: terra, água, alimentos, recursos naturais, energia.
Transformar os sinais óbvios de declínio em previsões de agressão visa justificar a guerra como defesa. Ora a guerra é altamente lucrativa devido à superioridade dos EUA na condução da guerra, no fornecimento de equipamentos e nos trabalhos de reconstrução. E a verdade é que, como escreveu Howard Zinn, os EUA têm estado permanentemente em guerra desde a sua fundação. Acresce que, ao contrário da Europa, a guerra nunca será travada em solo norte-americano, salvo, claro, o caso de guerra nuclear. Em 14 de Outubro de 2014, o New York Times divulgava o relatório da CIA sobre o fornecimento clandestino e ilegal de armas e financiamento de guerras nos últimos 67 anos em muitos países, entre eles, Cuba, Angola e Nicarágua. Esta notícia serviu para que Noam Chomsky dissesse em “The Laura Flanders Show” que aquele documento só podia ter o seguinte título: “Yes, we declare ourselves to be the world´s leading terrorist state. We are proud of it” (“Sim, declaramos que somos o maior estado terrorista do mundo e temos orgulho nisso”).
Um país em declínio tende a tornar-se caótico e errático na sua política internacional. Immanuel Wallerstein refere que os EUA se transformaram num canhão descontrolado (a loose canon), um poder cujas ações são imprevisíveis, incontroláveis e perigosas para ele próprio e para os outros. A consequência mais dramática é que esta irracionalidade se repercute e intensifica na política dos seus aliados. Ao deixar-se envolver na nova guerra fria, a Europa, não só atua contra os seus interesses económicos, como perde a relativa autonomia que tinha construído no plano internacional depois de 1945. A Europa tem todo o interesse em continuar a intensificar as suas relações comerciais com a Rússia e em contar com esta como fornecedora de petróleo e gás. As sanções contra a Rússia podem a vir a afetar mais a Europa que a Rússia. Ao alinhar-se com o militarismo da OTAN onde os EUA têm total preponderância, a Europa põe a economia europeia ao serviço da política geoestratégica dos EUA, torna-se energeticamente mais dependente dos EUA e dos seus estados satélites, perde a oportunidade de se expandir com a entrada da Turquia na União Europeia. E o mais grave é que esta irracionalidade não é o mero resultado de um erro da avaliação dos interesses dos europeus. É muito provavelmente um ato de sabotagem por parte das elites neoconservadoras europeias no sentido de tornar a Europa mais dependente dos EUA, tanto no plano energético e económico, como no plano militar.
Por isso, o aprofundamento do envolvimento na OTAN e o tratado de livre comércio entre a UE e os EUA (parceria transatlântica de investimento e comércio) são os dois lados da mesma moeda.
Pode argumentar-se que a nova guerra fria, tal como a anterior, não conduzirá a um enfrentamento total. Mas não esqueçamos que a primeira guerra mundial foi considerada, quando começou, uma escaramuça que não duraria mais de uns meses. Durou quatro anos e custou entre 9 e 15 milhões de mortos.