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quarta-feira, 31 de outubro de 2018

O PT NÃO ACABOU!

Terminadas as eleições de 2018, onde o Brasil escolheu um caminho muito perigoso, colocando em risco a democracia e levando o país a um retrocesso político, econômico e cultural, o Partido dos Trabalhadores continua como uma das grandes forças da política brasileira.

ATAQUES BRUTAIS

Desde quando o PT foi criado, em 1982, o partido sofre ataques brutais por parte das elites mais egoístas do mundo, através da grande mídia brasileira, totalmente controlada pelos barões das comunicações, onde apenas seis famílias, controlam quase todos os grandes canais de TV, Rádio e Jornais de grande circulação. Suas lideranças são investigadas, com suas vidas revida de cabeça pra baixo, enquanto os dos outros partidos, são "aliviados" pela mídia, que inflou a população para tira do poder uma presidenta legitimamente eleita e levou a prisão a sua maior liderança, sem nenhuma prova real, passando por cima de todos os ritos processuais. 

O Bolsonaro foi eleito, por alguns fatores, mas o principal foi o protesto a política tradicional. O anti-petismo foi muito difundido pelas classes dominantes e que encontrou ressonância na classe media. O povão, que ganha até dois salários mínimos, que depende muito das ações sociais, ficaram fiéis ao Partido dos Trabalhadores.

O PT PÓS ELEIÇÕES

Agora a onda é dizer que o PT acabou. Sonho das elites, que apostam nisto a muitos anos. O partido saiu forte das eleições, mesmo não conseguindo fazer o Presidente da República. Os dados explicam isto. Apesar de perder algumas vagas, o PT continua como a maior bancada da Câmara Federal, elegeu 56 Deputados Federais e 84 Deputados Estaduais. Além disto o PT, continuou sendo o único partido a se fazer presente nas duas primeiras colocações desde 1989, mesmo quando FHC, ganhou no primeiro turno, ele foi o segundo mais votado nacionalmente. Isto sem falar que o PT foi o partido que mais elegeu governadores, com quatro estados (Rio Grande do Norte, Piauí, Ceará e Bahia).

Como depois de tanto ataques, com a sua principal liderança impedida de participar do pleito, o PT conseguiu eleger tantos deputados e governadores? O PT está morto, é a frase mais fake de toda a campanha, apesar dos fake news do Bolsonaro.


PT O PARTIDO MAIS CORRUPTO?

Mas alguns dizem, que o PT é o partido mais corrupto do Brasil. Como se o partido que o Bolsonaro passou 31 anos da sua vida pública, tem 31 membros envolvidos na Lava Jato e o PT tem 6 envolvidos? O DEM é o partido com maior número de políticos cassados, 69 no total, o MDB (ex PMDB) tem 66, PSDB tem 58 e o PT aparece com 10.

Os Candidatos barrados pela Lei da Ficha Limpa, o PSDB aparece no topo com 56 políticos, o PMDB, vem logo em seguida, com 49. O PP, tem 30 e o PT tem 18.

O PT E A INCLUSÃO SOCIAL

A verdade é que o PT foi o único partido que ousou enfrentar as elites e redistribuir renda neste país. Em toda minha vida, foi o Partido dos Trabalhadores que proporcionou um pouco de alegria para o povo tão sofrido. Agora parcela da população beneficiada pelas políticas inclusivas do partido, se volta contra ele. Mas isto é compreensível, a medida que falta educação e informação isenta para a grande maioria da nossa população.

Os dois governos Lula, foram de prosperidade para toda população brasileira, todos ganharam, o trabalhador e o empregador. No meio do governo Dilma, pelos erros da politica econômica, mas também pela pauta bomba liderada pelo corrupto, Eduardo Cunha, destruíram qualquer tentativa de retomada o crescimento. Isto por causa da recusa da presidenta em apoia-lo para presidência da Câmara dos Deputados. A crise e o aumento do desemprego, foram o estopim para lotarem as ruas, como a grande mídia tentava desde o governo do presidente Lula. Vale lembrar que a Globo parou até a transmissão do futebol para transmitir as manifestações de rua, patrocinadas pelo que de mais de corrupto existe na política brasileira, com o financiamento de grupos empresarias e banqueiros. 

Não acho que o PT acertou em tudo, cometeu erros graves, mas a sua perseguição não é pelos seus erros e sim pela seus acertos e ousadia. Para o bem da população mais pobre deste país e para a classe trabalhadora, o PT não pode ser jogado fora na lata do lixo. Ele continua sendo um instrumento importante da luta por justiça social no Brasil e o mundo.

Como dizia ativista americano, Malcolm X, "Se você não for cuidadoso, a mídia te fará odiar as pessoas que estão sendo oprimidas e amar as pessoas que estão oprimindo".

(Dados tirados do site do TSE)

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

A CEGUEIRA POLÍTICA DAS ELITES DOMINADA PELO ÓDIO

O artigo do Ricardo Semler*, na Folha de São Paulo, é para ler e refletir. 

Na Fiesp, quando eu tinha 27 anos e era vice do Mario Amato, convidávamos outsiders para uma conversa no bar. Chamei o FHC, que estava na mídia com a pecha de maconheiro. Chamamos os 112 presidentes de sindicato, vieram 8. Ninguém topava falar com "comunista". Alguns anos depois, fui ao Roda Viva para alertar contra a eleição do Collor, queridinho passional das elites.

Recentemente, realcei que a ida das elites à Paulista para derrubar a Dilma equivalia a "eleger" o Temer e seus 40 amigos. Ninguém da elite quis ir às ruas para pedir antecipação de eleições. Erraram feio, como no passado, ou como quando deram as chaves da cidade ao Dória. Quanta ingenuidade.

Agora, estremeço ao ouvir amigos, sócios e metade da família aceitando a tese de que qualquer coisa é melhor do que o PT. Lá vamos nós, de novo. As elites avisaram que 800 mil empresários iriam para o aeroporto assim que Lula ganhasse. Em seguida, alguns dos principais empresários viraram conselheiros próximos do homem.

Sabemos que, em vencendo Haddad, boa parte da Faria Lima e da Globo se recordará subitamente que foi amiga de infância do Fernandinho --"tão boa pessoa, nada a ver com o Genoíno, gente!".

A reação de medo e horror da esquerda, Ciro incluso, é ignorante. Vivemos, nós da elite, atrás de muros, cercados de arames farpados e vidros blindados, contratando os bonzinhos das comunidades para nos proteger contra favelados. Oras, trocar vigias com pistolas por seguranças com fuzis é um avanço? Ou é melhor aceitar que o país é profundamente injusto e um lugar vergonhoso para mostrarmos para amigos estrangeiros?

Vamos continuar na linha do projeto Marginal, plantando ipês lindos para desviar a atenção do rio?

​Não compartilho com os pressupostos ideológicos do PT e —até pouco— fui filiado a um partido só, o PSDB. Nunca pensei em me filiar ao PT, nunca aceitaria envolvimento num Conselhão de Empresários, por exemplo.

Apenas reconheço que as elites deste país sempre foram atrasadas, desde antes da ditadura, e nada fizeram de estrutural para evitar o sistema de castas que se instalou.

Nenhum de nós sabe o que é comprar na CA e ser seguido por um segurança para ver se estamos para roubar, por sermos de outra cor de pele. Todos nós nos anestesiamos contra os barracos que passamos a caminho de GRU, com destino à Champs Élysées.

Este é um país que precisa de governo para quem tem pouco, a quase totalidade dos cidadãos. Nós da elite, aliás, sabemos nos defender. Depois do susto, o dólar cai, a Bolsa sobe, e voltamos a crescer. Estou começando três negócios novos neste mês.

Qual de nós quer pertencer ao clube dos países execrados, como Filipinas, Turquia, Venezuela? É um clube subdesenvolvido que foi criado à força, mas democraticamente, bradando segurança e autoridade forte. Soa familiar?

Quem terá coragem, num almoço da City de Londres, de defender a eleição de um capitão simplório, um vice general, um economista fraco e sedento de poder, e novos diretores de colégio militares, com perseguição de gays, submissão de mulheres e distribuição de fuzis à la Duterte?

Lembrem-se desta frase do Duterte, a respeito de uma australiana violentada nas Filipinas: "Ela era tão bonita — eu deveria ter sido o primeiro". Impossível imaginar o Bolsonaro dizendo isso?

Colegas de elite, acordem. Não se vota com bílis. O PT errou sem parar nos 12 anos, mas talvez queria e possa mostrar, num segundo ciclo, que ainda é melhor do que o Centrão megacorrupto ou uma ditadura autoritária. Foi assim que a Europa inteira se tornou civilizada. Precisamos de tempo, como nação, para espantar a ignorância e aprendermos a ser estáveis. Não vamos deixar o pavor instruir nossas escolhas. O Brasil é maior do que isto, e as elites podem ficar, também. Confiem.

*Ricardo Semler - empresário, sócio da Semco Style Institute e fundador das escolas Lumiar; ex-professor visitante da Harvard Law School e de liderança no MIT (EUA)

sexta-feira, 20 de abril de 2018

É ASSIM QUE O NAZISMO, RACISTA E XENOFÓBICO, SE ESPALHA.

O que posso pensar no caso de entrevista da presidenta do PT, Senadora Gleisi Hoffmann, a uma dos canais de TV mais assistidos do mundo. Seria ignorância? Má-fé? Estupidez? Desinformação? Acho que tudo junto, quando setores da direita tentam transformar a entrevista num caso de segurança nacional.

A Senadora Ana Amélia, quer um segundo de mídia, afinal de forma ridícula diz que o Exército Islâmico a vir ao Brasil proteger o PT. Muito pior é a PGR (Procuradoria Geral da República), através da subprocuradora Raquel Branquinho, instaurar procedimento preliminar para analisar a possibilidade de inquérito no casa da entrevista a TV Al Jazeera.

Vale lembra, que a TV Al Jazeera, é uma das mais importantes e assistida do mundo. Os "animais"direitistas, que espalham o ódio pela nossa sociedade, beiram ao ridículo, quando tentam confundir o canal com Estado Islâmico, dizendo que o país pode correr risco, afinal o canal é visto também pelo mundo árabe. A CNN e a BBC também são vistos no mundo inteiro.

O pior da história, não é uma brincadeira ou zoação, é pior que isto, é ódio e estupidez misturados e fazem não por informação, mas sim por má-fé para tentar ludibriar a opinião pública. Tudo começa com o deputado bolsonarista, militar que defende a tortura, Major Olímpio, que apresentou a PGR a denúncia, dizendo que a segurança nacional corre riscos com a entrevista.

Pior é PGR entrar nesta onda. A Senadora, Gleisi Hoffmann, subiu a tribuna do Senado Federal e disse: "má-fé e desvio de caráter". Não podemos ficar mais assistindo o caminho que esses loucos querem levar nossa sociedade. O ódio, a xenofobia, o racismo se espalham e todos os cidadãos de bem irão pagar por isto no futuro, se a omissão continuar.

Assim começa e se espalha o racismo, nazismo e todas a formas de extremismo.

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
Fonte: Tijolaço

terça-feira, 17 de outubro de 2017

PT AINDA É O PARTIDO MAIS CONFIÁVEL

O "ex-blog" do Cesar Maia, divulgou uma pesquisa sobre os partidos políticos no Brasil. Mesmo com todo desgaste, provocado pelos ataques da grande mídia brasileira, que representa os interesses dos poderosos, o Partido dos Trabalhadores, continua sendo o preferido entre os brasileiros, e com folga.

Dos entrevistados, 75% (3/4)  não tem simpatia especial com qualquer partido. Mas entre os outros 25% que tem, o PT dispara com 15,6% da preferência. O partido mais próximo tem apenas 3% da simpatia. O PMDB tem 2,4%; O PSOL (1,5%); DEM (0,7%); PV (0,7%) e outros partidos somam 2,9%.

Conforme tabela acima, as avaliações positivas e negativas, o PT é que têm a melhor taxa entre positivo e negativo. Isto demonstra que o estragado pretendido pela grande mídia ao PT, foi muito menor que o pretendido.

Os dois partidos com as piores avaliações são o PSDB (73,7%) e o PMDB (74,7%), chegando a quase 3/4 dos entrevistados.

Mesmo com a direita brasileira "saindo do armário", a democracia é o melhor regime para 72% dos entrevistados.  

A pesquisa foi feita pelo IG, em setembro de 2017 e com 2.000 entrevistados em todas as regiões do país.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

EXPULSÃO DO DEPUTADO ANDRÉ CECILIANO DO PT


Diversos militantes do Partido dos Trabalhadores, que ainda acreditam no partido como instrumento de transformação social, estão colendo assinaturas de centenas de filiados pedindo a expulsão do partido do Deputado Estadual André Ceciliano, que votou a favor da privatização da CEDAE. Veja abaixo o teor do abaixo assinado.

“... O PT nasce da decisão dos explorados de lutar contra um sistema econômico e político que não pode resolver os seus problemas, pois só existe para beneficiar uma minoria de privilegiados.”

Trecho do Manifesto de fundação do PT

Nós, filiados e militantes do PT – RJ, Entendemos a gravidade da conjuntura nacional onde os governos Temer e Pezão tem implementado políticas que trazem graves prejuízos aos trabalhadores e setores médios da sociedade.

Nesse contexto é que vemos a privatização da CEDAE como moeda de troca nesse ajuste fiscal que trará graves danos ao Estado do Rio de Janeiro, projeto votado a toque de caixa sem o devido debate com a sociedade e a análise de alternativas para superar a crise financeira que tem levado ao desespero os servidores e pensionistas do estado, tem piorado os serviços públicos do RJ, trazendo graves prejuízos para todos.

Nesse sentido consideramos inconcebível que um de nossos representantes no parlamento do Estado do Rio de Janeiro ignore a trajetória de nosso partido e de sua militância nos movimentos sociais e se coloque ao lado daqueles que hoje são verdadeiros inimigos de nosso projeto e do povo.


Por tudo isso solicitamos a convocação do Diretório Estadual do PT – RJ para debater e deliberar sobre a exclusão dos quadros partidários de André Ceciliano, eleito Deputado Estadual por nossa legenda.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

DEPOIS DO SIM DA INGRATIDÃO, O PT PODE ABRAÇAR JANDIRA FEGHALI

Jandira deverá ser a candidata do PT a prefeitura do Rio
Depois da traições do PMDB em todo Brasil e o "SIM DA INGRATIDÃO" de Pedro Paulo, pré-candidato a Prefeitura do Rio, o PT do Rio caminha para desembarcar da atual gestão. O Diretório Municipal do partido na capital, através do seu presidente, Bob Calazans, marcou para o próximo dia 26 o debate sobre o assunto.

O presidente do Diretório estadual do PT/Rio, Quaquá, disse: "Agora, o PT do Rio está trabalhando pela candidatura na prefeitura ao lado de Jandira". Apesar de alguns militantes defender candidatura própria, o sentimento majoritário é que o PT saia do governo Eduardo Paes e faça uma aliança com a Jandira Feghali (PCdoB/RJ), que é pré-candidata a prefeitura do Rio, mas tem dito que sua candidatura só vingará, se o PT do Rio, vier em massa apoiando seu nome.


O Pedro Paulo não só traiu a confiança da presidenta Dilma Rousseff, como foi ingrato, afinal foi a cidade que mais receber recursos do Governo Federal e em todas as crises o partida sempre esteve ao lado do prefeito Eduardo Paes e de seu pupilo. Dizer SIM, junto com uma cambada de corruptos, para derrubar a presidenta é de uma ingratidão tamanha. Pedro Paulo saiu do secretariado, assumiu seu mandato como deputado federal só para votar contra a presidente. Vou repetir o que escrevi no Facebook do Pedro Paulo: "O maior defeito que uma pessoa possa ter, é a ingratidão".

Foi o SIM DA INGRATIDÃO!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

PT SAI EM DEFESA DO LULA NO SEU PROGRAMA ELEITORAL DA TV


O PT (Partido dos Trabalhadores) na sua propaganda eleitoral que será veiculada hoje (terça, 23) vai sair em defesa da maior liderança popular do Brasil na atualidade.

O PT vai afirmar "Os que hoje tentam manchar a história, são os mesmos de ontem. Os preconceituosos que não querem aceitar suas ideias e suas origens"; "Mas não vão conseguir. As ofensas, as acusações, a privacidade invadida. Tudo isso passa", diz um locutor; o próprio ex-presidente também fala na peça; "É verdade que erramos, mas acertamos muito mais. E podemos acertar muito mais ainda", diz Lula; o ex-presidente destaca que "somos o país que mais resolveu as desigualdades" e que "é isso no fundo que incomoda essa gente"

A verdade é que o PT e as esquerdas precisam sair da defensiva e ir para a luta contra os reacionários e os direitistas, que querem retomar o poder do país, para voltar a fazer do Brasil uma República para poucos, em detrimentos de muitos.

Fonte e Imagem: Brasil247

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

E SE DILMA...

Infelizmente hoje no Brasil a nossa mídia é altamente seletiva. Quando é algum fato contra o PT ou algum de seus membros, é capa das revistas semanais, é chamada para o telejornal, manchetes em todos os grandes jornais e sem falar que o fato é repetido todo o tempo. Seria muito legal se fosse para todos, talvez teríamos um outro Brasil.

Mas quando a coisa é do outro lado, tudo muda de figura. A imprensa faz notícias seletiva e diversos fatos que envolvem políticos da oposição ao atual governo, são propositalmente retirados e esquecidos do noticiário. Isto tudo é para não influenciar a opinião pública contra os propósitos dos mais ricos deste país.

No aplicativo do Watsapp circula uma mensagem que relembra alguns fatos esquecidos pela mídia brasileira e fica supondo se esses fatos fosse com a atual presidenta do Brasil, Dilma Rousseff.

Hoje os velhos corruptos e as raposas da política brasileira é que atacam a presidenta e a mídia aplaudindo. É muita podridão! 

"E SE DILMA...

💫E se Dilma tivesse vendido uma estatal, avaliada em mais de 100 bilhões, por 3,6 bilhões, como FHC (PSDB) fez com a Cia Vale do Rio Doce?

💫E se Dilma tivesse construído dois aeroportos, com dinheiro público, em fazendas da família, como fez Aécio Neves(PSDB)?

💫E se Dilma estivesse na lista de Furnas, junto com FHC, Geraldo Alkimin, José Serra, Aécio Neves(todos do PSDB)... Entre outros?

💫E se Dilma estivesse acusada de receber propinas da Petrobrás, como Aloysio Nunes(PSDB)?

💫E se Dilma estivesse sendo processada no STF, por ter recebido propinas da empreiteira OAS e ter achacado o Detran do seu estado, em um milhão de reais, como Agripino Maia(Dem)?

💫E se Dilma tivesse sido denunciada como beneficiária do contraventor Cachoeirinha, além de estar sendo processada, por exploração de trabalho escravo, em sua fazenda, como Ronaldo Caiado(Dem)?

💫E se Dilma estivesse sendo investigada na Operação Zelotes, por ter sonegado 1,8 milhão de reais e corrompido funcionários públicos, para que essa dívida sumisse do sistema da Receita Federal, como Nardes(Conselheiro do TCU, ligado ao PSDB)?

💫E se Dilma tivesse sido manchete de capa no New York Times, por suspeição de narcotráfico internacional, o que gerasse diversas reportagens na televisão norte americana, agentes do DEA, Departamento Anti Drogas, dos Estados Unidos, tivessem vindo ao Brasil, para investigá-la, e um helicóptero com quase meia tonelada de pasta de cocaína fosse apreendido em uma fazenda de amigo pessoal e sócio dela, em negócios não muito claros, como Aécio Neves(PSDB)?

💫E se a filha da Dilma fosse assessora do presidente da CPI da Petrobrás e lobista junto a Nardes, um conselheiro do TCU, 

💫E se Dilma tivesse uma conta secreta no HSBC suíço, por onde passaram milhões de dólares, como Daniele Cunha, a filha de Eduardo Cunha(PMDB)?

💫E se Dilma tivesse sido presa em 2004, por fraude em licitação de grandes obras, no Amapá, e tivesse sido condenada por corrupção, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, como Flexa Ribeiro(PSDB)?

💫E se Dilma, quando prefeita de Salvador, tivesse sumido com 166 milhões das obras do Metrô, como Antônio Imbassay(PSDB)?

💫E se a filha da Dilma tivesse tido um único emprego, de assessora da mãe, e a revista Forbes a colocasse como detentora de um das maiores fortunas brasileiras, caso do Serra(PSDB) e sua filhinha?

💫E se Dilma tivesse 18 processos por corrupção, como José Serra(PSDB)?

💫E se Dilma tivesse 22 processos por corrupção, como Eduardo Cunha(PMDB)?

💫E se Dilma tivesse dado dois Habeas Corpus, em menos de 48 horas, a um banqueiro que lesou o sistema financeiro nacional, para que ele fugisse do país; desse um Habeas Corpus a um médico que dopava a suas clientes e as estuprava (foram 37 as acusadoras), para que ele fugisse para o Líbano; se fizesse uso sistemático de aviões do senador cassado, por corrupção, Demóstenes Torres(Dem); 

💫Se Dilma tivesse votado contra a Lei da Ficha Limpa por entender que tornar inelegível um ladrão é uma “atitude nazi-fascista”(sic), tendo a família envolvida em grilagem de terras indígenas, como Gilmar Mendes (Ministro do STF)?

💫E se Dilma colocasse sob sigilo, por 25 anos, as contabilidades da Petrobras, Banco do Brasil e BNDES, como Geraldo Alkimin(PSDB) colocou as do Sistema Ferroviário paulista, das Sabesp e da Polícia Militar, após se iniciarem investigações da Polícia Federal, apontando desvios de muitos milhões?

💫E se Dilma tivesse sido governadora e, como tal, cassada, por conta de compra de votos na campanha eleitoral, corrupção e caixa dois. Como Cássio Cunha Lima(PSDB)?

💫E se Dilma, em sociedade com Mário Covas(PSDB) tivesse comprado uma enorme fazenda no município mineiro de Buritis, em pleno mandato, e recebesse um aeroporto de presente, construído gratuitamente, de uma empreiteira, constatando-se depois que foi essa empreiteira a que mais ganhou licitações no governo FHC(PSDB), sócio de Covas?

💫E se Dilma declarasse à Receita Federal e ao TRE ter um patrimônio de 1,5 milhão e a sua filha entrasse na justiça, reclamando os seus direitos sobre 16 milhões, só parte do seu patrimônio, como aconteceu com Álvaro Dias(PSDB)?

💫E se Dilma estivesse sendo acusada de ter recebido 250 mil de uma empreiteira, na Operação Lava Jato, como Carlos Sampaio(PSDB)?

💫E se Dilma tivesse comprado um apartamento no bairro mais nobre de Paris e, dividindo-se o valor do imóvel pelos seus rendimentos, se constatasse que ela teria que ter presidido este país por quase trezentos para tê-lo comprado, caso de FHC(PSDB)?

💫E se Dilma fosse proprietária da maior rede de televisão do país, devendo quase um bilhão de impostos e mais dois bilhões no sistema financeiro, e tivesse o compromisso de proteger corruptos e derrubar a presidente, em troca do perdão da dívida com o fisco e financiamento do BNDES, para quitar as dívidas da empresa, como no passado, caso dos irmãos Marinho, proprietários da Rede Globo de Televisão?

💫E se Dilma tivesse sido denunciada seis vezes, por seis delatores diferentes, na operação Lava Jato, e fossem encontradas quatro contas suas, secretas, na Suíça, alimentadas por 23 outras contas, em paraísos fiscais, e o dinheiro tivesse sido bloqueado pelo Ministério público suíço, por entendê-lo fruto de fonte escusa, e tivesse mandado toda a documentação para o Brasil, com a assinatura dela, como aconteceu com Eduardo Cunha(PMDB)?

Certamente Dilma, investigada noite e dia, em todas as instâncias, sem um indiciamento, sem sequer evidências de crimes, no dizer do promotor da Lava Jato e de um dos advogados dos réus, “uma mulher honrada”, não estaria com os citados pedindo o seu impeachment.

O seu crime? Chegou o dia de pagar os carentes do Bolsa família e o tesouro não tinha dinheiro. A Caixa Econômica Federal pagou e recebeu três dias depois. Isto é pedalada e por isso todos os citados acima a querem fora do governo.

Porque é desonesta ou porque é um risco para os desonestos?

Para apressar a tramitação dos processos em curso ou para arquivá-los?"

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

CUNHA RESPONDE COM VINGANÇA AO PEDIDO DE CASSAÇÃO

Eduardo Cunha responde o PT 
O Deputados do PT fizeram o que o povo brasileiro esperava. Decidiram votar pela continuidade do processo de cassação do corrupto, presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

Sua resposta imediata foi a aceitação do pedido de impeachment contra a Presidenta Dilma Rousseff e disse que faria isto com muita tristeza. Muita cara de pau. Sua atitude demonstra o seu caráter vingativo como dirige a Câmara dos Deputados. Agora é enfrentar e se o Governo Federal quer ter um pouco de paz, para colocar o Brasil de novo na rota do crescimento é com Cunha fora da Câmara e da política. Ele tem que virar um caso de polícia!

Agora o povo brasileiro terá que escolher se apoia de verdade a luta contra o corrupção, apoiando a cassação do Cunha e reprovando o impeachment da Presidenta Dilma Rousseff, que tem uma história correta e ilibada.

Teremos aqueles que vão apoiar o Cunha, que na verdade não querem passar o país a limpo e sim, só tirar o PT do Governo e aqueles, que lutam por um país mais justo e solidário, que apesar de todos os erros que vem acontecendo no país, vão reconhecer que a política precisa ser mudada e que a Dilma é correta e todas as condições morais para continuar presidindo o país.

Se caso o impeachment passar, o Brasil será presidido pelo Michel Temer do PMDB do Cunha. Espero que os brasileiros saibam ter serenidade para debater este momento e refletir quais são as consequências futuras para todos, principalmente para os trabalhadores.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

NENHUMA REVISTA SEMANAL TRATOU DO CASO CUNHA. PORQUE SERÁ?

As revistas semanais esconderam o caso do presidente da câmara dos deputados com contas ilegais na Suíça. É o fim de uma credibilidade que já se foi a muito tempo.

As Revista Veja, Época, Isto É e Carta Capital, nenhuma delas deram algum destaque para as contas ilegais do Eduardo Cunha/PMDB/RJ na Suíça. A mídia fala tanto de corrupção mas quando aparece um caso tão importante como este, o assunto é escondido.

Na verdade a grande mídia não tem preocupação com o combate a corrupção e sim a destituição do PT do governo central do país e assim retomar o processo de privilégios que sempre tiveram no Brasil.

É na verdade a manipulação da informação.

Este caso do Eduardo Cunha demonstra que não só a grande mídia é parcial. A Polícia Federal e a justiça vão pelo mesmo caminho. Cunha ao invés de ser investigado e afastado da presidência da Câmara dos Deputados, ele trama a derrubada de Dilma como se nada tivesse acontecendo. 

Se alguém ainda tinha dúvidas, dê uma olhada nas bancas.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

SEDE DO PT DE SP FOI INVADIDA


A sede do PT municipal da cidade de São Paulo foi invadida na madrugada desta segunda (17). Através de nota, o Partido dos Trabalhadores (PT) diz não ter sido identificado nenhum furto de pertences. Mas as gavetas e armários foram vasculhados demonstrando que os invasores estavam atrás de algumas informações.

Depois da sede do PT de Jundiaí e do Instituto Lula, agora foi a vez do diretório da capital paulista e parece que grande parte da sociedade está aceitando isto passivamente e até comemorando esses atos de intolerância e agressividade. Sou contra qualquer tipo de agressão, mas estão levando a militância petista para o confronto, depois os radicais e intolerantes serão outros na grande mídia. 

Vejam abaixo a nota do Diretório do PT 

“Durante a invasão vasculharam gavetas e armários, e até o momento não foi identificado furto de pertences. O PT municipal entende que é preciso investigar e apurar o caso com prioridade, diante dos fatos que já ocorreram. Este é o quarto acontecimento, somente em 2015. O primeiro foi na sede do Diretório em Jundiaí, seguido dos atentados à bomba nas sedes do Diretório Zonal – PT Centro e no Instituto Lula. Diante dessa situação é preciso que apure e punam os culpados”, diz a nota divulgada pelo partido.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

VEJAM COM ATENÇÃO O PROGRAMA DO PT NA TV

O Partido dos Trabalhadores - PT apresentou ontem o seu programa de TV e aqueles que não tiveram a oportunidade de assistir vejam aqui com atenção e percebam a diferença entre aqueles que querem construir uma nação justa e solidária para todos ou aqueles que apenas querem criar uma crise política e destabilizar o governo e assim fazer o povo brasileiro pagar as consequências. É a política de quanto pior melhor. Querem apenas tirar o proveito político da situação.


Com dez minutos de duração, o programa do PT é apresentado pelo ator José de Abreu e traz discursos do ex-presidente Lula e do presidente do partido, Rui Falcão. Em um dos trechos do programa, o locutor diz ao telespectador que "não se deixe enganar pelos que só pensam em si mesmos", enquanto são exibidas imagens dos senadores Aécio Neves (PSDB-MG), Ronaldo Caiado (DEM-GO) e José Agripino Maia (DEM-RN), além dos deputados Carlos Sampaio (PSDB-SP) e Paulinho da Força (SD-SP).

Abaixo também tem o link da quem quer ver no yotube o vídeo. Copie e cole no seu navegador.

 https://youtu.be/RU3PYVcelmc

terça-feira, 4 de agosto de 2015

AGOSTO COMEÇOU!

José Dirceu

O tão anunciado mês de agosto na política começou. Além da prisão do ex-ministro José Dirceu, greves e manifestações de Sem Terra em Brasília, agitam o cenário. O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, anuncia uma pauta bomba para o mês e ainda teremos o julgamento da contas do Governo Dilma pelo TCU.

Além disto temos manifestções de motoristas de táxis em Brasília contra o aplicativo Uber, os funcionários públicos do Rio Grande do Sul, tiveram os seus proventos parcelados pelo governo gaúcho por falta de verbas no caixa

Manifestação dos taxistas em Brasília

Na entrevista após a prisão do ex-ministro José Dirceu, os repórteres, a mando de seus patrões, ficaram que nem abutres perguntando sobre o Lula, se havia algo sobre o ex-presidente e o procurador da República Carlos Fernando Lima, respondeu que "neste momento não existe nenhum indicativo de necessidade de prisão de quem quer que seja que não esteja preso". mas acrescentou que "nenhuma pessoa num regime republicano está isenta de ser investigada". 

Se for verdade, porque os tesoureiros dos outros partidos políticos também não estão na cadeia? Afinal alguém acha que a corrupção começa e termina no PT? Na verdade são ações orquestradas para acabar com o governo que ousou em inverter as prioridades e assim devolver o país a sua normalidade histórica. Os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.

É agosto promete!

Fonte: Altamiro Borges
Fotos: Uol e Brasilia é Aqui

segunda-feira, 29 de junho de 2015

JÁ PASSOU DA HORA DE IR PARA A OFENSIVA

Nos últimos anos, o Brasil incluiu mais de 30  milhões de brasileiros na classe média, deu oportunidades a pobres e negros de ingressarem numa universidade e, hoje, já conseguimos ver médicos oriundos das classes sociais menos favorecidas. A pirâmide social engordou na sua metade e a base foi diminuída. 

Ações de valorização salarial foi uma constante nesses anos, dando oportunidade a milhões de brasileiros de terem acesso aos bens de consumo que só viam na televisão e também, de adquirirem a tão sonhada casa própria! Isto incomodou aqueles que sempre exploraram os menos favorecidos e nunca os quiseram próximo, frequentando os mesmos espaços e disputando, ainda que timidamente, as possibilidades antes exclusivas aos "bem nascidos".

A CORRELAÇÃO DE FORÇAS

Os governos do Partido dos Trabalhadores ousou a inverter a lógica que sempre perdurou no país. Os ricos cada vez mais ricos e os pobres, cada vez mais miseráveis. Desde de 2003, quando Lula assumiu o comando da nação, o PT nunca teve o poder, afinal vivemos num "presidencialismo parlamentarista". O partido da estrela precisou abrir mão de grande parte de seus objetivos para compor com a maioria do Congresso Nacional. 

Por causa do atual modelo político, a representação parlamentar não corresponde aos diversos segmentos presentes na sociedade brasileira, como os trabalhadores, os afro-descendentes, as mulheres, entre outros. Isto contribuiu para que algumas transformações necessárias para termos uma sociedade mais justa e fraterna foram deixadas de lado. É a chamada correlação de forças.

OS ARTIFÍCIOS PARA A RETOMADA DO PODER

Mas nada disto foi suficiente para aplacar a ira daqueles que odeiam ver pobres viajando de avião ou frequentando as universidades, graças ao sistema de cotas. Para retomar o poder central, as elites buscam todos os artifícios. Temos vistos no país uma perseguição implacável para inviabilizar o governo Dilma, sendo toda esta articulação montada por grande parte da grande mídia, pela Polícia Federal do Paraná e pelo Juiz Sérgio Moro, da primeira instância da Justiça Federal. 

Toda ação do juiz vira manchete nos jornais e telejornais e vêm a cada dia rasgando as garantias constitucionais e afrontando o estado de direito.  O juiz paranaense virou o "vingador" dos derrotados nas urnas em outubro de 2014, o super-homem que vai varrer a corrupção do país, como se tal desafio fosse tarefa para apenas um homem... Que segue endeusado e aplaudido pelos incautos e estimulado em sua sanha vingativa pelos maiores corruptos do país, os mesmos que foram beneficiados pela ditadura militar e construíram suas fortunas.

APROVEITANDO O MOMENTO DE CRISE

Todo este processo vem parando o país e deixando a economia fragilizada. Com isto, o Brasil deixa de gerar empregos e retorna à fatídica era dos governos do PSDB, onde não havia renda nem empregos. Lembro bem das filas de desempregados que davam voltas nos quarteirões! Esta cena foi varrida da nossa realidade, mas não está descartada seu retorno, com os rumos atuais da economia. 

É a política do quanto pior, melhor. As elites batem "panelas" desde 2003, mas não encontravam ressonância na maioria da sociedade. Hoje, com a crise econômica, em muito incentivada pelo "terrorismo" da grande mídia, esta parcela da sociedade encontra eco exatamente naqueles incluídos nos últimos anos pelas políticas sociais do Governo Federal. Afinal, quem viajava de ônibus e agora vai de avião, não quer voltar a enfrentar as longas viagens para rever suas famílias! Podemos dizer que a estrategia de fragilizar o atual governo, finalmente, começa a surtir o efeito desejado desde 2003, pelos adversários do Governo do PT.

CRIMINALIZAR O PT É NECESSÁRIO

Por isto, criminalizar o PT, os petistas e inviabilizar a candidatura do Lula em 2018 é necessário para alcançarem seus objetivos. Para isto, passam a ideia de que a corrupção neste país começou com o PT e vai terminar quando o PT for varrido da política.

JÁ PASSOU DA HORA DE IR PARA A OFENSIVA

Já passou da hora do PT e do governo Dilma dialogar com esta camada da população, que as elites consideram despolitizada e manipuláveis. Buscar apoio popular será fundamental para a sobrevivência do projeto político de transformação social iniciado no Governo Lula, Do contrário, será o fim e o retrocesso voltará. Dilma e o PT precisam denunciar e dizer claramente o que está em jogo para esta parcela da sociedade. 

Portanto, é preciso ter coragem para enfrentar as forças reacionárias e reagir de maneira veemente contra as tentativas de golpe que afrontam a nossa jovem Democracia. Acredito que não há outro caminho a ser tomado e já está ficando tarde. Infelizmente, dentro do governo e do PT, ainda há pessoas acreditando que esta tempestade passará sem o confronto político na sociedade. A direita saiu do armário e vê grandes possibilidades de retomar ao poder; logo, não irá recuar nem um milímetro na sua estratégia! Para sobreviver é necessário perder o medo da mídia e enfrentar a onda conservadora que vem crescendo.

Pelo Brasil e pelo povo trabalhador, o PT e as esquerdas não tem outro caminho.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

ENTREVISTA DO WADIH DAMOUS

Wadih Damous, Deputado Federal/PT-RJ

O Deputado Federal-PT/RJ, advogado e ex-presidente da OAB-RJ, Wadih Damous, deu uma excelente entrevista para o site Brasil247, em que teceu duras críticas ao juiz Sérgio Moro e aos procuradores da Operação lava-Jato. A entrevista foi realizado por Artur Voltolini.

Leia abaixo à entrevista na íntegra.


Quais estão sendo as primeiras impressões do Congresso por um advogado garantista?
Eu percebi que ali quem tem a pauta é Eduardo Cunha [presidente da Câmara], é ele quem tem clareza do que vai ao plenário. E não estou fazendo um elogio não. O que eu vejo lá é um nível político muito rebaixado. As bancadas são eleitas pelo dinheiro. O Dr. Ulisses Guimarães sempre dizia, quando alguém criticava o Congresso: “Você não viu o próximo”. Bom, eu não vi os anteriores, estou vende esse, e estou com uma impressão muito ruim. Acho que essa é a composição mais conservadora e de rebaixado nível político que eu tenho notícia.


O que o senhor quer dizer com “rebaixado nível político”? É falta de preparo intelectual?
Eu não acho que o parlamentar necessariamente tenha que ter conhecimento de ciência política, ou conhecimento especializado nisso ou naquilo. Ele tem que ter discernimento e espírito público para saber o que está fazendo ali, do ponto de vista do interesse público. Cuidar do aperfeiçoamento da legislação, de cumprir aquilo que está previsto na Constituição em relação às atribuições do Congresso Nacional, em particular da Câmara dos Deputados. É neste sentido que eu vejo falta de preparo político. Não é falta de preparo intelectual, de preparo técnico.


Não seria um preparo específico para uma política mais patrimonialista, focada na proteção de certos interesses?
Esse é o Congresso hoje.


Não vejo falta de preparo, eles não estão ali exatamente preparados para isso?
Por esse lado sim. Ali de fato não se tem organicidade, não se tem um projeto. Os debates são sempre na base de quem é corrupto ou quem não é corrupto. Não se discute projeto, não se discute uma visão de país. É assim que eu vejo a Câmara dos Deputados hoje.


É engraçado ver corruptos notórios entre os arautos do combate à corrupção.
Se for pegar a folha corrida, você verá que nenhum deles tem lastro moral para apontar o dedo para outro e dizer que é corrupto.
Eu fico impressionado com os parlamentares do PSDB que sobem à tribuna para falar de corrupção, se esquecendo que a reeleição, que acaba de ser revogada na Câmara, nasceu de um processo de corrupção, de acusação de compra de votos para a reeleição do Fernando Henrique Cardoso. Denúncias que até hoje não foram apuradas. Na época, havia um procurador-geral da República que, coincidentemente ou não, tinha o apelidado de “engavetador geral da República”, chamado Geraldo Brindeiro. Enfim, é isso que eu chamo de rebaixamento do nível político.


As privatizações também não foram devidamente investigadas.
A chamada Privataria. O que se lê a respeito diz que foi um amplo processo de corrupção. E isso é esquecido na hora de se apontar o dedo para os outros.


Ao mesmo tempo, não podemos dizer que o PT, tanto como partido quanto como governo, não participou de certas práticas que são condenáveis.
Olha, o PT... Um dos pilares de fundação do PT foi a visão de que ele era um partido diferente, que não se pautaria pelas práticas dos partidos tradicionais. Sobretudo práticas de corrupção, práticas patrimonialistas. O PT não tinha o direito de, em nome da governabilidade, adotar certas práticas. Não estou dizendo que são práticas de corrupção, isso é algo que tem que ser apurado no devido processo legal, e quem praticou corrupção deve responder nos termos da lei. Mas desde que apurado no devido processo legal, não apurado numa manchete de jornal.
Ainda que se chegue ao final de todas essas histórias, e se chegue à conclusão de que não houve prática de corrupção, ainda assim o PT errou politicamente porque entrou num jogo de barganha, entrou num jogo de negociação, que em nome da governabilidade acabou maculando a imagem do partido, e acabou facilitando o trabalho de seus inimigos no sentido de pregar a pecha de corrupção na testa do partido.
O grande problema é que fica muito difícil apurar, tanto no escândalo chamado mensalão, como agora no escândalo da Petrobras, o que é verdade ou o que é mentira. O que é apuração de fato ou o que é escândalo fabricado. Porque virou um circo midiático de tal monta, de tal magnitude, que mesmo aqueles – e estou me colocando nesse campo –, que têm o mínimo de conhecimento jurídico, o mínimo de conhecimento de como são os processos judiciais, têm dificuldade em distinguir quem é culpado de quem é inocente, quem praticou e quem não praticou corrupção.


A ministra Rosa Weber não disse num voto: “não tenho provas, mas posso te prender”?
Foi um voto preparado pelo juiz Sergio Moro, que era o assessor da ministra Rosa Weber.


Como era exatamente a frase célebre?
“A doutrina jurídica me ensina que eu posso condenar sem provas”. Quando a doutrina jurídica ensina exatamente o contrário, só se pode condenar com provas.


A Globo News parou sua programação regular e ficou a passar horas do julgamento ao vivo.
O Brasil é o único país do mundo em que  um julgamento penal é divulgado ao vivo. Não há essa hipótese em qualquer país do mundo.


De quem foi essa ideia?
Foi o ministro Marco Aurélio, quando estava na interinidade da presidência da República, quem criou o televisionamento direto das sessões do plenário.


Foi parte do jogo de forças políticas entre os três poderes, para fortalecer o STF?
Eu presumo que não. Não estou na mente do ministro Marco Aurélio para saber, mas sempre se acusou o Poder Judiciário de ser pouco transparente, um poder fechado e avesso à publicidade dos seus atos. Presumo que o ministro Marco Aurélio, quando idealizou isso, tivesse pensando em termos democráticos, de dar mais transparência. Coisa que até concordo em partes. Mas uma ação penal não pode ser transmitida, nem ao vivo nem filmada. Acredito que nisso deveríamos imitar outros países, como a Alemanha e a França. São famosas na corte americana aquelas aquarelas feitas por desenhistas autorizados, da casa, é o máximo que pode acontecer. Há países como a Alemanha em que só se divulga o nome de um acusado depois que ele é condenado e da sentença transitada em julgado. Até então os jornais não podem divulgar o nome do acusado. Aqui no Brasil não se preserva ninguém, aqui a regra é o linchamento.


Os vazamentos seletivos da Polícia Federal na Operação Lava Jato constituem crime?
Sim, mas não sei se foi a Polícia Federal, o Ministério Público ou talvez o próprio juiz Sérgio Moro, isso deveria ser investigado.


Investigados por quem?
Se é a Polícia Federal, deveria- se abrir inquérito no Ministério da Justiça para apurar o vazamento. Se for juiz, deve-se ir ao Conselho Nacional de Justiça e abrir investigação. E se for o Ministério Público, a investigação é do Conselho Nacional do Ministério Público.


Eu não vejo pessoas ou entidades lutando por essa investigação, nem o nosso ministro da Justiça.
Acho que alguns desvios de conduta, alguns expedientes que são ilegais, estão se transformando em praxe. O excepcional está se tornando regra. É isso o que está acontecendo no Brasil ultimamente.


O senhor foi presidente da Comissão da Verdade no Rio de janeiro. Há relação entre nosso problema de memória em relação à ditadura militar com práticas arbitrárias que existem hoje, tanto nas favelas com os mandados coletivos de busca quanto com a negação de habeas corpus aos executivos investigados pela Lava Jato?
Em relação ao que acontece nos bairros pobres e nas favelas, há práticas que não foi a ditadura quem inventou. Essa questão do mandado de busca e apreensão coletivos não foi a ditadura quem inventou, foi o Poder Judiciário de hoje. Às vezes nós praticamos, e falo de forma jocosa e irônica, injustiças contra a ditadura. Porque na nossa cabeça não passa que uma democracia possa gerar e praticar atos que são próprios exatamente de regimes arbitrários. Mas isso aí, por exemplo, é uma criação da nossa democracia. O Amarildo não desapareceu na ditadura, desapareceu dentro de um regime democrático. Nós temos que ter isso em mente pra entender que a nossa democracia precisa de um aperfeiçoamento radical. Ela guarda elementos autoritários muito preocupantes.


O senhor poderia citar outros?
A tortura. Ela não foi inventada pela ditadura, a polícia sempre torturou. A tortura acontecia antes da ditadura, durante a ditadura e depois da ditadura. Durante a ditadura, houve uma nova clientela da tortura, que eram os guerrilheiros oriundos da classe média, estudantes, de família até abastadas, mas que como resolveram combater o regime da época, entraram no couro, entraram no pau de arara. Mas sobre as classes populares sempre houve tortura, e continua a haver. Nessa hora em que estamos conversando aqui alguém está sendo torturado.
Voltando à questão das cidades e favelas, da criminalidade urbana. Para se combater essa criminalidade cometem-se outro crimes. A polícia, os agentes da repressão praticam crimes em nome do combate ao crime. Da mesma forma que em nome do combate à corrupção praticam-se ilegalidades, desrespeitam-se direitos fundamentais, num vale-tudo porque está se combatendo a corrupção. É o que o aconteceu na Ação Penal 470 e o que está acontecendo agora na Operação Lava Jato. O combate à corrupção deve acontecer, e quem praticou corrupção deve responder nos termos da lei. Mas a apuração deve se dar também nos termos da lei.
Agora, em relação a esses julgamentos midiáticos, Lava a Jato e etc., o que está acontecendo é que o juiz que comanda o inquérito é um cruzado, ele se sente um salvador da pátria. Ele age como um justiceiro, um acusador, não como um magistrado, da mesma forma como o ministro Joaquim Barbosa agiu na Ação Penal 470. Barbosa anteriormente foi membro do Ministério Público.
Esse juiz Sérgio Moro tem traços de uma espécie nova de fanatismo que está surgindo, o fanatismo judicial, que foi criado pelo ministro Joaquim Barbosa. 'Sou cruzado. Eu vou resolver essa mazela que é a corrupção. Está nas minhas mãos resolver isso'. Ele tem todo o viés do acusador. A defesa não tem voz nem vez num inquérito do juiz Sergio Moro. Os jornais não divulgam a palavra da defesa. Os procurados posam na Folha de S. Paulo de intocáveis.


A Operação Lava Jato pode estar sendo utilizada pra tentar quebrar a infraestrutura do país? Uma tentativa de paralisar a economia e fragilizar o governo?
Não creio que tanto o juiz Sérgio Moro quanto esses rapazes procuradores tenham projeto de derrubar ou desestabilizar o governo. Se sinceramente for isso, eles não podem ocupar cargo público.
Eu acho apenas que eles não se incomodam, eles não têm qualquer discernimento quanto à repercussão social de seus atos como procurador, como juiz. Não querem saber, eles pensam assim: 'Não tem que acolher acordo de leniência e ponto. Se isso vai causar desemprego, se isso vai causar crise, se isso vai quebrar empresas, dane-se. Eu estou agindo na forma da lei. Essas empresas são organizações criminosas e devem arcar com os ônus disso'. Não creio que seja um programa de derrubar o governo Dilma, ou de desestabilizar o governo a partir do Judiciário ou do Ministério Público. Acho até pior não refletir sobre qual será a repercussão social do que se está fazendo, de não pensar em que forma nós podemos mitigar os danos que essas empresas causaram. Isso é pior que ter má fé em relação à investigação.


Sem acordo de leniência, as empreiteiras serão impedidas de entrar em processos de licitação?
Abrirá espaço pra empresas estrangeiras. Será a desnacionalização de um setor estratégico da economia nacional.


Eles não têm noção disso?
Eles estão se lixando para isso. Mas se tudo fizer parte de um projeto, se a história mostra que era isso, eles têm que sentar no banco dos réus.


De onde veio esse poder dos procuradores?
Todas as constituições pós ditadura, pós regime autoritários, dão uma virada democrática muitas vezes exacerbada. O Ministério Público é um monstro institucional, é o Ministério Público mais poderoso do mundo. E os procuradores ganharam uma autonomia tal que não precisam dar satisfações ao procurador-geral. Esses meninos lá do Paraná fazem o que bem entendem e o Janot assiste.
É preciso uma reforma que retire poderes do Ministério Público, deve-se delimitar os poderes de um procurador, ele tem que prestar satisfação ao procurador-geral. Eles não podem ter essa autonomia exacerbada a ponto de paralisar a economia de um país. É um absurdo, mas isso é em decorrência de uma distorção que está na Constituição de 1988. Não é à toa que o ex-procurador-geral e ex-ministro do STF Sepúlveda Pertence outro dia desabafou: “Eu ajudei a criar um monstro”, ou seja, o Ministério Público.
Os procuradores, na investigação e abertura de inquérito, eles têm uma autonomia exacerbada, eles podem abrir uma investigação sem consultar ninguém, às vezes sem base nenhuma. O procurador-geral é um cargo político, ele tem que aprovar as investigações.


O senhor concorda com a afirmação de que nunca se investigou tanto a corrupção na história desse país?
Olha, na ditadura, que foi um regime absolutamente corrupto, ao contrário do que alguns imbecis, ou desavisados... Há imbecis que são velhos o suficiente pra saber que quando vão para a rua com cartaz pedindo intervenção militar, a volta à ditadura e etc., estão agindo de má fé porque sabem que havia corrupção na ditadura. Agora a imprensa não podia divulgar porque estava sob censura. O poder judiciário não julgava porque estava manietado, o Ministério Público ou era cúmplice ou também estava manietado. Mas havia corrupção. No governo Fernando Henrique Cardoso havia muita corrupção, no entanto, o Ministério Público não estava aparelhado tecnologicamente, e não havia a disposição de investigar.


O Ministério Público é hoje mais independente com o respeito à indicação da corporação na lista tríplice?
Essa bobagem foi uma invenção do PT. O presidente da República tem que nomear quem ele entender que deva nomear. O chefe do Ministério Público não é sindicalista nem presidente de sindicato. O procurador-geral da República tem atribuições extracorporativas, então essa história de prestigiar a escolha da corporação é uma tolice. E tive a oportunidade de dizer isso ao presidente Lula, disse, com muito respeito, mas disse.


Qual foi a reação?
Ele riu. O presidente Lula é um democrata, e recebe críticas, formuladas respeitosamente, muito bem.


O maior erro dele foi a indicação de Joaquim Barbosa para o STF?
Eu acho que os governos do PT não entendiam ou continuam não entendendo o que é o Poder Judiciário. Os critérios que devem ser obedecidos em primeiro lugar são os que estão na Constituição: notável saber jurídico e reputação ilibada. Ao obedecer esses critérios, a escolha deve ser feita por quem melhor se adéqua ao meu governo. Assim é nos Estados Unidos. Não há lá a possibilidade de um presidente republicano indicar um democrata, e um democrata indicar um republicano. E isso não torna o indicado o indicado, o nomeado, parcial. O presidente Roosevelt tinha o programa do New Deal, com programas sociais e programas de combate ao racismo. A Suprema Corte era um obstáculo. Só que o presidente Roosevelt ficou quatro mandatos, e assim teve a oportunidade de montar uma Suprema Corte de acordo com o programa do partido democrata. Não há nisso crime, e não há nisso desonestidade, e não se pode dizer que esses ministros sejam parciais. Alguém acusa a Suprema Corte americana de ser aparelhada?


O que o senhor pensa da recém-aprovada PEC da Bengala?
Isso é uma teratologia! Uma monstruosidade. É outro problema do atual Congresso Nacional: o casuísmo agora está atingindo a Constituição. Casuísmo atingindo a lei ordinária sempre foi um expediente de vez em quando utilizado por determinadas maiorias do Congresso Nacional. Hoje esse casuísmo está sendo utilizado para modificar a Constituição. A PEC da Bengala é um exemplo, a redução da maioridade penal é outro. Assim como a tentativa de reeleição beneficiando os atuais presidentes da Câmara e do Senado, e por aí vai.


O senhor assumiu seu mandato bem no início da votação da reforma política. Sendo mestre em direito constitucional, como o senhor viu a proposta da presidente Dilma Rousseff de uma constituinte específica para a reforma política?
O que se passou pela cabeça da presidente Dilma é absolutamente compreensível: 'Esse Congresso não vai fazer reforma política que preste, então vamos convocar uma constituinte'. E a vida está dando razão a ela. Tecnicamente falando, ela seria de duvidosa constitucionalidade, e inócua, porque de qualquer maneira a proposta teria que passar pelo Congresso Nacional. Acredito que a bandeira da constituinte para fazer a reforma política tenha mais um caráter moral do que propriamente um caráter de eficácia, de possibilidade. Só vai haver constituinte no Brasil quando houver ruptura do regime. A abertura das constituintes vêm seguindo às rupturas. O que foi a constituinte de 1988? Foi a constituinte após a ditadura, para promulgar uma constituição que superasse o período autoritário, que superasse a ditadura. É muito difícil uma constituinte derivada pra fazer modificações tão profundos na vida pública. Teria que haver um consenso na sociedade e em torno das forças políticas pra que isso acontecesse.


Esse Congresso é capaz de fazer uma reforma política?
Não está havendo reforma política nenhuma, o que está em curso no Congresso hoje é uma contra-reforma política. É uma vergonha o que está acontecendo por lá. Foi uma vergonha o presidente da Câmara conseguir reaglutinar uma maioria para desfazer o que havia sido acordado na noite anterior.


Qual seria a reforma política que o senhor defende?
A principal medida é acabar com a dinheirama nas campanhas eleitorais, e acabar com as doações de empresa. Esse seria o primeiro item. E a partir daí é aperfeiçoar os sistemas eleitorais.


O PT acabou de proibir as doações empresariais. Se elas não forem aprovada na reforma política, o partido não vai entrar nas campanhas de 2016 com um caixa muito menor?
Eu acho que essa declaração foi precipitada. Há determinadas coisas que, se você falar apenas para dar satisfação, se não for fruto de planejamento, fruto de uma discussão interna aprofundada, pode te acabar levando a dar um passo político errado.
Poderia ter sido o resultado de um processo de ampla discussão. Deveriam ter aguardado o processo da reforma politica no Congresso Nacional para depois se manifestar.


O senhor recebeu dinheiro de empresas em sua campanha?
Não. Mas se alguma empresa tivesse doado para mim, isso necessariamente configuraria crime? Não? Porque é legal. Hoje em dia é legal empresas doarem para candidatos. Agora isso, tendo em vista toda a nossa história política, tendo em vista esse quadro do Congresso Nacional, isso é desejado? Não. Por isso nós combatemos o financiamento empresarial. Há candidatos que receberam limpamente o dinheiro de empresas. Eu não quis porque eu tinha condições, minha campanha foi sustentada por mim e pela generosidade de colegas advogados.


O senhor é a favor do voto facultativo?
Doutrinariamente sou a favor. No mundo ideal, onde todos os cidadãos são conscientes de seus direitos e obrigações, onde todos os cidadãos têm compromisso com o país. Os cidadãos nesse mundo ideal também teriam direito de irem ou não votar.
Agora, num contexto em que a política está criminalizada, em que no imaginário da população ser político é sinônimo de ser bandido, de ser ladrão, em que a grande mídia contribui decisivamente para a criminalização da política, vem o Congresso e estabelece o voto facultativo? Isso será a consolidação do processo de deslegitimação da representação, sobretudo parlamentar. Qual é o cidadão que vai querer sair de casa para votar em bandidos? Já que essa é a tese que domina hoje. O índice de abstenção, que já é alto, seria muito maior e teríamos governos em parlamentos considerados ilegítimos.


Um dos argumentos a favor do facultativo é que ele poderia reduzir o chamado voto de protesto, que já ajudou a eleger Tiririca e Enéas. Também poderia inibir a escolha do candidato pelas cores do santinho jogado no chão da Zona Eleitoral...
E não gosto de estigmatizar ninguém. Acho que o voto no Tiririca pode ter sido de protesto, mas também foi um voto de convencimento. Um voto da consciência que as pessoas têm.
Por conta disso, sem perceber, estamos tendo uma visão elitista da política, e isso pode nos levar a correr o risco de decidir quem deve votar ou não. Um voto censitário, onde só podem votar os bem preparados. Não é isso. O presidente Lula é um grande exemplo, não tem instrução formal e tem uma inteligência invulgar, tem um discernimento para a politica que beira a genialidade. Quantos Lulas não devem existir por aí também? Eu acho que o que deve ser aperfeiçoado é o nosso sistema político de representação e o fim do financiamento empresarial.


E das eleições gerais?
Eu tendo a ser contra, mas ainda está sendo discutido na bancada. Apenas uma eleição você colocar para o eleitor a possibilidade de votar para presidente da República, senador, governador, prefeito, deputado federal, deputado estadual e vereador? Sinceramente, eu não sei como seria a qualidade desse voto, e não sei se esse é o melhor caminho. Mas eu não tenho uma opinião formada, tenho muitas dúvidas.


Reeleição?
Eu votei pelo fim da reeleição. Doutrinariamente eu acho perfeitamente cabível a reeleição. As principais democracias do mundo têm reeleição sem qualquer problema. Mas existe um clamor como esse processo de criminalização da política. Mas nesse tema é o cinismo do PSDB que me chama a atenção. A reeleição foi introduzida pelo PSDB, num processo que já discutimos aqui qual foi, com compra de votos. E agora o PSDB quer capitanear o processo de fim da reeleição?


Seria medo de que Lula fique mais oito anos na presidência?
Acho que não é medo do presidente Lula. Ele já teve dois mandatos, e terá certamente um terceiro em 2018. Até acredito que ele gostaria que existissem novas lideranças no PT, mas às vezes o processo histórico não é como a gente quer que seja. O presidente Lula vai cumprir o seu papel e vai se eleger em 2018. Vai fazer um grande governo novamente e com certeza vai ajudar na criação de novas lideranças no PT.


No Maranhão o governador Flavio Dino (PCdoB) teve que construir uma ampla rede de apoios para tirar a família Sarney do poder. Seu vice é do PSDB, e a militância do PT, embora o partido tenha apoiado formalmente Lobão Filho (PMDB), trabalhou intensamente em sua campanha. Aqui no Rio está se formando uma aliança de esquerda em torno do Marcelo Freixo (Psol). Parte do PT fluminense tem simpatia por essa aliança, enquanto o presidente do PT fluminense, Washington Quaquá, quer fechar com Pedro Paulo (PMDB). Como o senhor se coloca?
Flavio Dino é um querido amigo. No Maranhão, de fato, houve essa concentração de forças, mas era ele quem organizava o agrupamento. O governador Flavio Dino não está a reboque de sua coalizão, ele a comanda. Quem dá as cartas lá não é o PSDB, é o agrupamento político do governador Flavio Dino, há que se marcar isso.
Aqui no Rio acredito que o PT deve pensar em candidatura própria. Pode ser o caso de, mais à frente, afunilar uma outra candidatura progressista de esquerda, que seja o Marcelo Freixo, que seja outro, é caso a se ver. Mas essa parte do PT que critica a aliança com o PMDB quer ficar a reboque de outra?
O PT tem que pensar em candidatura própria. Se isso se mostrar inviável, ou se isso contribuir para a vitória de um candidato conservador, de direita, aí sim pensa-se em apoios e alianças, mesmo que ainda no primeiro turno, ainda tem muita água para rolar. O PT não deve, a princípio, ser uma força satélite de outra candidatura.


Me diga, o que houve com o PT fluminense?
Na verdade o PT – isso ele tem em comum com o PSDB –, com todo o respeito aos paulistas e paulistanos, o PT foi um partido hegemonizado pelos paulistas desde a fundação. O presidente Lula, embora do Nordeste, fez sua trajetória política em São Paulo. Os principais quadros nacionais do partido eram de São Paulo. E o Rio de Janeiro, assim como outros estados, era vítima desse “paulicentrismo”. Várias vezes o Diretório Nacional interveio aqui. Nós queríamos uma candidatura própria, e o Diretório Nacional nos impondo alianças, como foi com o Garotinho. Isso contribui para que o PT do Rio não consiga se afirmar como uma força política hegemônica na cidade e no estado. Eu acho que o PT no Rio de Janeiro tem uma história muito importante. Hoje estamos numa conjuntura antipetista muito acentuada, mas o PT do Rio deve procurar se afirmar por seus modos e meios.


O espaço deixado pelo PT no Rio está sendo ocupado pelo Psol?
O Psol tem excelentes parlamentares: o Chico Alencar, o Jean Wyllys, o Marcelo Freixo. Não se pode negar. Eles acabaram ocupando o espaço da juventude, que hoje tem muita restrições ao PT, e com razão. Acredito que está na hora de tentar recuperar nossa imagem com a juventude. É hora de o PT recuperar aquelas pessoas que não vão bater panelas nas varandas da Zona Sul do Rio nem nos Jardins em São Paulo, mas que também não vão a manifestações do PT. Está na hora de recuperar essas pessoas, elas foram desencantadas com o PT e com a política. E com toda a razão.


Não seria um reflexo de ser governo?
É verdade. Todos os partidos populares, até mesmo o bolchevique, que era um partido revolucionário, quando chegou ao poder teve problemas dessa ordem. Enfim, governar. O pragmatismo de governar e a opção de manter princípios, manter valores. Isso é da arte da política. Acho que o PT deu uma guinada muito forte no pragmatismo, e acabou por se confundir com os partidos tradicionais que ele tanto combatia na época da fundação. Então está na hora de recuperar algumas bandeiras.


E romper com o PMDB?
Acho que nós temos que ter isso em permanente avaliação.


Se houver o rompimento com O PMDB o partido não racha? Tem uma parte que certamente não quer sair do governo.
Eu acho que pra 2018 vai ser muito difícil manter essa aliança com o PMDB.


Mas o apoio de Quaquá a Pedro Paulo já não é pensando em 2018?
A política tem uma dinâmica própria, o que é válido pra 2016 pode não ser válido pra 2018.


O jornalista Breno Altman escreveu que falta na esquerda personagens “da estirpe” de Eduardo Cunha. “Ele é implacável. Não se preocupa com a imagem ao defender ideias nas quais acredita. Enfrenta adversários até levá-los à derrota ou à capitulação incondicional”. O senhor concorda?
Não li o texto, ele deve estar sendo irônico. Mas de fato hoje na esquerda falta coragem. Coragem de afirmar sua pauta, e quando eu falo esquerda estou me referindo mesmo ao PT. Falta coragem. A ousadia que esse Eduardo Cunha tem. Claro que sua ousadia é aquela que contorna a Constituição, contorna determinados princípios e valores que nós nunca deveremos contornar. Se formos pela linha radical “falta Eduardo Cunha na esquerda”, nós vamos acabar chancelando o pragmatismo exacerbado que o PT adotou pra poder governar. Então não é exatamente assim, mas falta efetivamente no campo de esquerda alguém com a postura da coragem e do enfrentamento nesse momento desfavorável.


Durante a campanha presidencial a Luciana Genro (Psol) não ocupou esse papel?
É verdade, mas a Luciana Genro fala de um lugar muito cômodo. Ela não tem maiores pretensões. Quem deveria estar de uma certa forma adotando, recuperando determinadas bandeiras, determinados princípios, é o PT. E isso é que é difícil. Para isso requer-se coragem. Até mesmo pra dizer não ao governo em determinadas ocasiões. A gente não pode ser o partido da linha de transmissão.


O senhor vai dedicar seu mandato à defesa dos direitos individuais?
Meus anos de OAB podem ter me moldado nesse sentido. Vou ser um advogado no Congresso, no sentido de defender a ordem jurídica do Estado democrático de direito, que no meu ponto de vista está sob ameaça. E não por parte das forças armadas, está sob ameaça de alguns setores do poder judicial, de setores do Ministério Público. São órgãos do Estado que estão exacerbando suas atribuições. Sou um militante dos direitos humanos, e vou continuar a empunhar suas bandeiras. Não sou um militante LGBT, não sou um militante negro, não sou militante religioso. Sou militante do plano dos direitos, vou combater a intolerância religiosa, sobretudo em defesa das religiões de matriz afro-brasileiras, vou defender o Estado laico, vou combater qualquer forma de discriminação. Há uma bancada conservadora que deve ser enfrentada.