sexta-feira, 18 de setembro de 2015

CRISE ECONÔMICA É CRIADA PELAS ELITES

Numa crise, só os ricos ganham
Segundo o economista Ladislau Dowbor (PUC de São Paulo), a origem da crise econômica que o Brasil enfrenta hoje, é criada por uma elite que quer quebrar o sistema e isto vem sendo alcançado, afinal não há base para falar numa crise de enormes proporções, ou que o país está quebrado, ou ainda vai quebrar. Isso não faz o menor sentido.

Vejam abaixo trechos da entrevista do economista publicada na publicação Engenharia em Revista. A tese é no mínimo interessante.

Ladislau Dowbor: ausência de reformas bloqueou lulismo
Para economista, país viveu doze anos de avanços, mas processo atingiu seu limite e hesitação do governo frustrou mudanças estruturais indispensáveis
O Brasil andou muito nas últimas duas décadas. Obteve um avanço social histórico desde o governo Lula, mas entrou no ciclo travado, a partir do qual sobram apenas duas alternativas: ou a coragem para fazer reformas estruturais, eternamente adiadas, ou o recuo. Jamais ficar no mesmo lugar.
O raciocínio é do incansável economista Ladislau Dowbor, da PUC de São Paulo. Do alto de um invejável currículo acadêmico graduação em Lausanne, doutorado em Varsóvia, professor em Coimbra e profissional, Dowbor carrega consigo uma vocação de eterno militante. Era um dos 40 presos políticos que, nos primeiros dias de 1971, foram trocados pelo embaixador suiço Giovanni Bucher, numa operação comandada por Carlos Lamarca.
Hoje brinca que a ditadura incentivou muito o intercâmbio daqueles jovens brasileiros que vagaram pelo mundo os banidos do Brasil que ficaram preferencialmente pela Europa, depois de terem sido trocados por embaixadores sequestrados em ações da guerrilha urbana.
É com alma de militante que Dowbor tem participado de todas as intermináveis reuniões que acontecem em São Paulo desde o início do ano entre intelectuais, e professa uma oposição que se traduza numa unidade de forças progressistas capazes de empurrar o governo para a esquerda, garantir os avanços conquistados de direitos civis, políticos e sociais desde a Constituinte de 1988 e romper com o que ele chama de ciclo travado, ou seja, as limitações impostas por uma elite financeira ao desenvolvimento pleno do país.
No centro de seu pensamento está a constatação de que o rentismo impôs uma ciranda de juros elevados para rolagem da dívida pública e alto custo do crédito para pessoas físicas e jurídicas. E essa realidade se traduziu, na prática, em um severo limite ao ciclo de crescimento baseado no mercado interno, iniciado no governo Lula.
A partir de agora, ou o país banca reformas estruturais, inclusive uma reforma financeira, ou retrocederá de um período de quase três décadas de avanços contínuos sociais, econômicos e políticos. Ladislau Dowbor concedeu esta entrevista, em São Paulo, logo depois de uma rodada de debates sobre o futuro do Brasil entre os integrantes do chamado Fórum Brasil 21, que tem por objetivo definir uma agenda política comum para as forças progressistas do país. A seguir, os principais trechos da entrevista que concedeu à jornalista Maria Inês Nassif.
Um acumulado de impasses
O Brasil hoje vive vários impasses. Um deles tem dimensão internacional e sofre o impacto de movimentos especulativos, sobretudo no mercado de commodities. Nos últimos 12 meses, o minério de ferro, por exemplo, que tem um grande peso na pauta de exportações brasileiras, perdeu 40% do seu valor; a soja, a laranja e outras commodities encolheram entre 20% e 30%. São cifras bastante significativas. No plano interno, o país vive um limite estrutural. O Brasil conquistou um conjunto de avanços, em particular nos governos de Lula e no primeiro governo de Dilma, mas os processos de expansão das políticas sociais chegaram a um limite, a partir do qual são necessárias mudanças estruturais.
As eternamente adiadas reformas de base não são mais adiáveis.
A resistência das elites e a crise política
Nesta tensão, a resistência das elites mostra-se extremamente forte. É por isso que a crise que se gera é essencialmente política. Não há base para falar numa crise de enormes proporções, ou que o país está quebrado, ou ainda que vai quebrar. Isso não faz o mínimo sentido. Podem até ocorrer ajustes que levem a uma racionalização de gastos do governo, mas isto não anula simplesmente a realidade de que o país está num ciclo de avanços absolutamente impressionante.
Socialmente, o Brasil mudou a sua cara. Entre 1991 e 2010, o brasileiro, que vivia até 65 anos, passou a viver 74 anos; em 2012, já vive 75 anos; ou seja, estamos falando de um país onde os brasileiros vivem 10 anos a mais. A mortalidade baixou de 30 por mil para 15 por mil. Isso resulta de uma convergência de mudanças: essas pessoas passaram a ter uma casa mais decente, a comer, são benefi ciários da expansão do serviço básico de saúde, o SUS, etc. São fatores que convergem para uma expansão do tempo de vida e para a redução da mortalidade infantil e, convenhamos, dividir pela metade a mortalidade infantil é um gigantesco avanço. Além disso, temos um conjunto de outros números já conhecidos: a criação de 20 milhões de empregos formais e 40 milhões de pessoas que saíram da miséria.
Segundo dados do Atlas das Regiões Metropolitanas elaborado conjuntamente pelo PNUD, Ipea e Fundação João Pinheiro, houve uma redução drástica da pobreza em todas essas regiões e um aumento dos Indicadores de Desenvolvimento Básico (IDB). Mais recentemente foram divulgados os Indicadores de Progresso Social, o IPS, que acompanha 54 indicadores que são o PIB, e coloca o Brasil no 42º lugar entre 130 países, puxado para baixo essencialmente pelo problema da segurança, que é o ponto crítico e está diretamente ligado ao problema da desigualdade.
O sistema financeiro emperra a locomotiva
Escrevi um documento chamado Bancos: o peso morto da economia brasileira, em que eu descrevo como os juros internos da economia esterilizam as ações de política econômica social. O Rubens Ricupero e o Bresser Pereira, que foram ministros da Fazenda e entendem disso, aprovaram as minhas anotações. O capitalismo financeiro impõe severas limitações ao momento seguinte desses avanços sociais, ao avanço do Brasil em direção ao futuro. Está em curso um processo de globalização financeira mundial que torna difícil ao país adotar políticas macroeconômicas independentes e as reformas financeiras que são necessárias. Quando se cobra nos crediários mais de 100% de juros, a intermediação financeira está se apropriando da metade da capacidade produtiva da população. O imenso esforço que o Brasil fez de redistribuição e de inclusão no mercado de dezenas de milhões de pessoas, os bancos, os comerciantes com crediários, as administradoras de cartões de crédito capturaram. As instituições de crédito sugaram a capacidade de compra da população, e dessa forma esterilizaram a dinamização da economia pelo lado da demanda. Os juros para pessoas jurídicas são absolutamente escorchantes, o que trava também a economia pelo lado do investimento. Os empresários já tendem a investir pouco quando a economia está travada. Quando, ainda por cima, adquirir equipamentos e financiar empresas custa de 40% a 50% de juros, então esqueça de novos investimentos.
Veja o poder político que esses grupos têm para obrigar o governo americano, o Banco Central Europeu, Bruxelas, a encontrar trilhões de dólares em poucos meses, quando os recursos são escassos para resolver o problema da destruição ou da pobreza.
A financeirização não é abstrata. Grupos financeiros controlam os conselhos de administração das mais diversas empresas e ditam as políticas das corporações.
A urgente reforma financeira
Sem dúvida, são urgentes as reformas política e tributária, mas é igualmente central uma reforma financeira em profundidade.
O componente rentista da crise é parte de minha análise. Na minha avaliação, o fator central dessas limitações ao futuro é que não temos mecanismos de canalização adequada dos recursos do país. O Brasil tem uma renda per capita de US$ 11 mil e isso é um nível de renda de um país rico. O nosso país também domina tecnologias e tem instituições. Não existem razões plausíveis para a economia não funcionar. Contudo, a generalização da inclusão social e a redução dos desequilíbrios internos esbarram em razões estruturais.
O Brasil andou para frente nas últimas duas décadas
No Atlas Brasil 2013 de Indicadores de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), se compararmos os índices de 1991 e 2010, observamos avanços espantosos. Em 1991 nós tínhamos 85% dos municípios do Brasil que tinham um IDH muito baixo, inferior a 0,50. Em 2010 apenas 32 municípios estavam nessa situação, ou seja, 0,6%. Essa é uma mudança extremamente profunda e estrutural. O Brasil começou a se transformar, na fase anterior ao governo Lula, com a aprovação da Constituição de 1988, que criou regras do jogo democrático que permitiram o início dos avanços.
Foi um avanço também a ruptura com a inflação. Afinal, numa hiperinflação não se consegue fazer administração do setor público.
Tudo isso viabiliza uma série de avanços significativos na década de 1990. A partir do governo Lula isso se sistematiza, e os avanços se tornam extremamente poderosos.
Mundo em explosão
Nós estamos num ano crítico em termos mundiais. Chegamos a limites críticos de destruição do planeta. Em 40 anos, destruímos 52% da vida vertebrada do planeta. O relatório da WWF é dramático: nós estamos esterilizando solo e liquidando a cobertura florestal.
Além desses problemas na área ambiental, persistem também um conjunto deles na área da desigualdade. O relatório da Oxfam sobre a desigualdade é devastador. Nós temos 85 famílias que têm mais patrimônio acumulado do que a metade mais pobre da população, ou seja, 13,5 milhões de pessoas. Se você junta o ambiental e o social, conclui-se que o mundo está explodindo.
Coffee Party
O Tea Party paralisa os Estados Unidos. Estes mesmos grupos estão querendo um Coffee Party no Brasil. Partem do mesmo fundamentalismo, do mesmo discurso radical conservador sem propostas. O que eles querem, afinal? Aumentar a desigualdade?
O capitalismo financeiro impõe severas limitações ao momento seguinte dos avanços sociais, ao avanço do Brasil em direção ao futuro.
O caminho é olhar para dentro…
Se entendermos as transformações que ocorrem interna e externamente estamos numa crise planetária e numa volatilidade extrema, inclusive dos preços das commodities , o caminho que temos de trilhar torna-se claríssimo. O Brasil é um país muito grande, de mais de 200 milhões de habitantes, e tem tranquilamente 100 milhões de pessoas que precisam melhorar a situação de vida. Nós temos, portanto, como crescer na fronteira interna. E quando a área externa é extremamente insegura, nada como reforçar a base interna de desenvolvimento. Isso implica manter e aprofundar as políticas de inclusão e de distribuição de renda, mas garantindo que isso ocorra simultaneamente às transformações significativas no sistema financeiro.
Um futuro em suspenso
O caminho para frente é o aprofundamento da luta contra a desigualdade por meio da inclusão produtiva, da expansão dos programas sociais e coisas do gênero. A oposição que devemos fazer nesse momento não é contra a presidente Dilma (Rousseff), mas para que ela avance muito mais e retome os processos que tinham sido anunciados.
Uma crise para travar o ciclo
A imbricação entre a situação internacional e a situação econômica interna com o seu respectivo embasamento político trava as reformas estruturais que são indispensáveis à continuidade do processo.
É um ciclo travado, mas não acho que a direita tem qualquer coisa coerente a propor. Não está conseguindo propor nada de coerente nem nos Estados Unidos, nem na França, nem na Grã-Bretanha, nem em lugar nenhum. Por todo lado está surgindo um Podemos, ou um Syriza (partido grego de esquerda). Os Estados Unidos estão paralisados em termos de capacidade de governo.
Capital financeiro contaminou a produção
O capital financeiro tornou-se hegemônico de uma maneira que desconhecíamos até 2011. Naquele ano, foi divulgado o relatório do primeiro estudo mundial sobre o sistema corporativo internacional, produzido pelo Instituto Federal Suíço de Pesquisa Tecnológica (ETH), que corresponde ao MIT da Europa e tem 31 prêmios Nobel de Tecnologia, a começar por Albert Einstein. Uma fonte absolutamente inatacável.
Segundo o estudo, 737 grupos do planeta controlam 80% do valor das empresas transnacionais. Destes, 147 grupos, dos quais 45 são bancos, controlam 40% do sistema mundial. A financeirização, portanto, não é abstrata, um mecanismo diluído ou misterioso. Esses grupos financeiros controlam os conselhos de administração das mais diversas empresas e ditam as políticas das corporações. Como são grupos financeiros que têm participações acionárias poderosas em empresas produtivas,
eles dizem a essas empresas o que fazer: Nós queremos uma rentabilidade de tanto, senão tiramos o nosso capital e quebramos a empresa. Se uma empresa decide adotar uma política ambiental mais sustentável, ou qualquer outra coisa que pode afetar a rentabilidade da empresa, esquece.
Centenas de exemplos de fraudes das mais variadas corporações internacionais, como as cometidas por empresas farmacêuticas, de agrotóxicos ou os próprios bancos, têm o objetivo central de gerar lucros. Essa estrutura mundial de poder foi suficientemente forte para, na crise de 2008, levar trilhões de dólares de governos para socorrer os bancos que haviam se excedido nos processos especulativos e estavam desequilibrados. Um socorro para os grupos financeiros que criaram a crise.
A contaminação da Justiça
O poder das corporações está estampado na votação, pelo Supremo, da ação de inconstitucionalidade do financiamento empre-sarial de campanha. As corporações não votam nem devem ter interesses políticos próprios. É legítimo a Federação de Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) ser um instrumento de participação política das corporações. Mas uma corporação comprar um mandato para um deputado ou senador, financiando-o, certamente isso não é certo. Seis juízes do Supremo, e portanto a maioria, já votaram pela inconstitucionalidade do financiamento empresarial e um único, Gilmar Mendes, ligado a interesses evidentes, pede vistas antes das eleições. Esta única pessoa transformou radicalmente o perfil do Congresso que foi eleito em seguida, pois se tivesse sido proibido o financiamento empresarial antes das eleições, os candidatos não poderiam ter mantido o vínculo com as corporações empresariais. Isso também é uma medida do grau de aprisionamento da política pelo Judiciário, pelas corporações e pela mídia, e coloca como objetivo central das forças progressistas resgatar o processo democrático da órbita do poder econômico.
Crédito a Fernando Henrique, mas em termos
É creditado ao governo Fernando Henrique Cardoso a ruptura com o processo inflacionário, o que é correto. Mas, segundo o The Economist, em 1992 o mundo tinha 44 países com hiperinflação, e todos eles liquidaram esse problema pela razão simples de que não se abriria a eles a possibilidade de participar do sistema financeiro que se internacionalizava se não resolvessem seus processos inflacionários. A globalização financeira, a formação do sistema especulativo, a chamada financeirização era incompatível com economias que tinham moedas não conversíveis, que mudavam de valor no decorrer do dia.
A articulação do rentismo com a mídia
O maior jornal econômico do país, por exemplo, em fevereiro publicou uma matéria que contém um quadro com as projeções de inflação, com o título: O que os economistas esperam. E são listadas 21 apostas em índices inflacionários feitas por economistas de instituições. Entre eles, não tem nenhum Amir Khair, um Luiz Gonzaga Belluzzo, uma Tânia Bacelar, um Rubens Ricúpero, um Bresser Pereira ou um Márcio Pochmann; sequer um IBGE ou um DIEESE. Apenas de bancos ou consultorias ligadas ao mercado financeiro e ambos ganham com a inflação. Esses economistas geram expectativas inflacionárias que se autocumprem, pois os agentes econômicos acompanham as expectativas e elevam preventivamente os preços.
Existe um trabalho de chantagem e contaminação pelo aceno do risco inflacionário e todos sabem que a inflação é um golpe mortal em termos políticos. Esse tipo de chantagem segura o governo pelo pescoço. A inflação virou arma ideológica.
Uma crise civilizatória
Não há mais pobres como antigamente. As pessoas hoje sabem que podem ter uma saúde decente para os seus filhos, acesso à educação decente e a outros direitos. Nesse sentido vivemos uma crise civilizatória. Não é simplesmente uma crise global que o mundo enfrenta. O volume de recursos apropriados pelos intermediários financeiros seria suficiente para enfrentar tanto a reconversão tecnológica que o meio ambiente exige, com os investimentos de inclusão produtiva que a dinâmica social determina.
Isso seria conferir uma outra articulação do sistema financeiro, pois ele não é só moeda, mas o direito de alocar os recursos onde eles são necessários. A função da moeda não é a especulação financeira. Essa é a reconversão que temos pela frente, que une a oposição propositiva que queremos criar no Brasil. Daqui saíram US$ 20 bilhões para paraísos fiscais, ou 25% do PIB, dinheiro que daria para financiar Deus e o mundo.
Rentismo, um obstáculo
O rentismo é um conceito que se vincula ao mercado internacional, que gerou uma espécie de elite que vive dos juros, não da produção. E isso tem uma enorme profundidade no país. O San-
tander, por exemplo, que é um grande grupo mundial, tem cerca de 30% de seus lucros originários do Brasil. Isto é, o mercado financeiro impõe drenos e também estruturas políticas de poder que tornam muito difícil a qualquer governo gerar transformações necessárias para romper essa lógica. De, 2013 a 2014, Dilma tentou reduzir a taxa Selic e os juros de acesso de pessoas físicas e jurídicas ao crédito, e a reação foi de pressões políticas muito fortes. E é curioso como as reações se manifestam. Quando se baixa os juros, nas televisões, nas rádios, nos jornais, imediatamente se consulta os chamados economistas que dizem, é inevitável, a inflação vai subir. Em regra, esses economistas são todos eles de empresas financeiras.
Crise internacional não é impedimento, mas oportunidade
É esse contexto internacional que torna fundamental a adoção de medidas inclusivas, a expansão do horizonte interno econômico. É vital nos basearmos nos objetivos internos da nossa economia. Nas condições de hoje, apoiar o país no sistema internacional é suicídio. Nessa perspectiva, superdimensionar o problema fiscal pode ser um erro, pois há ralos muito maiores no sistema financeiro. O país tem que resgatar o que vaza por sistemas especulativos e para paraísos fiscais e financiar a inclusão produtiva da maioria da população.
O Brasil não está quebrado, mas sob ataque
O (Luiz Gonzaga) Belluzzo diz que as forças conservadoras estão criando, politicamente, uma crise e eu concordo. O Brasil não está quebrado. A origem desta crise não está em uma crise econômica que gera recessão. É uma crise política criada por uma elite que quer quebrar o sistema, e em grande parte está conseguindo isso.
A rigor, essa é a ação que envolve grandes interesses, em particular interesses internacionais no Pré-Sal e o interesse dos grandes bancos internacionais que querem manter a mamata da Selic elevada, pois é um grande negócio aplicar aqui e ganhar 12% de juros, enquanto os Bancos Centrais da Europa e dos Estados Unidos estão trabalhando com taxas de juros de 0,5%, quando muito 1%.
A tentativa da Dilma de reduzir a Selic a 7% e de abrir os bancos oficiais para obrigar a concorrência foi, para esses interesses, um grito de guerra. Tanto que ela teve que voltar atrás. Mas nós não podemos continuar a trabalhar para encher o bolso de dinheiro dos especuladores financeiros. Acho que esse não é apenas o objetivo da classe trabalhadora, mas dos empresários efetivamente produtivos. Não é possível desenvolver o país quando todo mundo se vê obrigado a pagar uma espécie de royalties sobre o dinheiro, aliás um dinheiro que nem é dos próprios bancos, mas dos nossos depósitos, ou então dinheiro fictício criado por meio de alavancagem.
Ou avança, ou recua. Não dá mais para ficar onde está
O Brasil vive um impasse e, a partir desse impasse o país avança, e consolida os ganhos das últimas décadas, ou retrocede, e perde o que ganhou. Por isso considero importante unificar o debate. E estou convencido de que há muita gente que quer avançar. Muitas famílias, pela primeira vez, têm os filhos na universidade, muitas delas apenas agora conseguem alimentar os seus filhos e todas elas são mobilizáveis. As mudanças não acabaram porque 200 mil tomaram a Avenida Paulista. Este país tem base.
Eu acho que o fato de uma parcela desses manifestantes do atraso pedirem a volta da ditadura mostra o tipo de ausência de uma visão propositiva da direita. O que eles querem? Sangrar mais os pobres, aumentar mais a desigualdade, privatizar mais?
A contaminação da política pelo poder econômico
Hoje o país tem um Congresso com uma bancada ruralista, uma bancada dos bancos, uma bancada das grandes empreiteiras, uma bancada das grandes montadoras, e você conta nos dedos quem é da bancada cidadã. A lei aprovada em 1997 que autorizou as corporações a financiarem campanhas foi um golpe terrível para o processo democrático. Não se pode qualificar de democracia o que vivemos no Brasil só porque a gente vota, porque o voto é rigorosamente determinado por uma gigantesca máquina de financiamento que vai se traduzir no tipo de Congresso que temos. Isso coloca a questão da reforma política e, em particular, o financiamento das campanhas, na linha de frente.
Nada para o planeta, tudo para os bancos
A Rio+20 teve uma grande reunião internacional que firmou como um dos objetivo levantar US$ 30 bilhões para salvar o planeta. Não conseguiu. Em 2008, em meses, os governos levantaram trilhões de dólares para salvar o sistema financeiro, se endividaram e passaram a pagar juros para o próprio sistema financeiro que foi socorrido com esse dinheiro. Esse movimento dos governos praticamente destruiu o que restava do legado da social democracia nesses países, do chamado Welfare State, ao reduzirem os direitos sociais.
(Entrevista publicada originalmente em Engenharia em Revista)

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

OS 70 ANOS DA FEIRA DE SÃO CRISTÓVÃO



A Feira de São Cristóvão está completando 70 anos nesta sexta-feira (18 de setembro). Também chamada de Feira dos Nordestinos, ela conquistou todo o povo carioca. É um pedacinho do nordeste no Rio de Janeiro desde a década de 40.

A Feira começou no ano 1945 quando os pracinhas desembarcaram nas imediações do Campo de São Cristóvão. Lá Santa Helena leu um cordel para comemorar o fim da guerra e a partir daí, em função dessa leitura, foi criado um movimento de pessoas interessadas em ouvir e vender a literatura de cordel. O movimento foi crescendo, outros comércios surgindo e assim a feira foi se consolidando.

Uma outra versão que diz que a Feira surgiu ao longo da década de 40 a partir de um movimento de nordestinos que ali desembarcavam e ficavam acampados esperando uma oportunidade de trabalho e de moradia. Ali era o ponto final dos caminhões chamados de pau de arara.

A Feira funcionava nos arredores dos Pavilhão de São Cristóvão e desde 2003 ela funciona dentro do pavilhão, conta com cerca de 700 barracas e 100 restaurantes que vendem produtos típicos do norte e nordeste brasileiro e serve para que os nordestinos matem a saudade da terra natal. A Feira recebe hoje mais de 300 mil pessoas por mês, virou uma atração turística da cidade.

No dia 18 (amanhã) o aniversário da feira será comemorado em grande estilo com o show da 
banda Forró Real, do Ceará. Além do show está acontecendo (dias 17,18 e 19 de setembro) um simpósio nordestino, onde várias personalidades da cultura nordestina estão presentes.

Fonte: Correio do Brasil

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

PALPITES DO BRASILEIRÃO - 26ª RODADA

Na rodada passada acertei 70% dos palpites e nesta rodada vamos melhorar ou manter o desempenho para desespero dos meus amigos.

QUARTA - 16 DE SETEMBRO

FLUMINENSEXPALMEIRAS - PALMEIRAS

GOIÁSXPONTE PRETA - GOIÁS

JOINVILLEXSPORT - EMPATE

FIGUEIRENSEXAVAÍ - FIGUEIRENSE

ATLÉTICO/PRXGRÊMIO - GRÊMIO

SANTOSXATLÉTICO/MG - SANTOS

INTERNACIONALXCORINTHIANS - EMPATE

CRUZEIROXVASCO - CRUZEIRO


QUINTA - 17 DE SETEMBRO

SÃO PAULOXCHAPECOENSE - SÃO PAULO

FLAMENGOXCORITIBA - FLAMENGO

terça-feira, 15 de setembro de 2015

MINIMIZAR O BOTAFOGO FAZ PARTE DA ELITIZAÇÃO DO FUTEBOL BRASILEIRO

Todo início do campeonato brasileiro de futebol, temos em torno de 12 times que podem ser destacados como prováveis postulantes ao título. Qual campeonato do mundo isto acontece? 
Mas por outros interesses que não são os desportivos ou dos clubes, as Organizações Globo, principal detentora dos direitos de transmissão do futebol brasileiro, implementa uma estratégia de esvaziar alguns importantes clubes, como o Botafogo, Fluminense, Internacional, Grêmio, Cruzeiro e Atlético/MG. É só olhar as cotas de televisionamentos a partir de 2016, onde estes clubes estão num suposto quarto grupo e ganhando quase três vezes menos do Corinthians e Flamengo. Assim o equilíbrio irá para o brejo e a Globo pagará bem menos o que vale pelos direitos de transmissão.
Esta política vai matar a "galinha dos ovos de ouro". A médio prazo teremos no máximo cinco clubes com condições especiais e os demais relegados a disputa das posições intermediarias das competições. Como manter o equilíbrio e a rivalidade com um adversário ganhando de cota de TV mais de R$ 160 milhões;ano e o outro R$ 60 milhões/ano?
No caso do Botafogo. a situação se agrava com o "desprezo" da Globo com a sua torcida e as suas tradições. O alvinegro carioca é o carro-chefe da Série B e onde joga leva bastante público e mesmo assim é relegado a jogar sempre as terças e sextas e quase sempre às 21h30. Poucos jogos do Botafogo foram agendados para os sábados às 16:00. Horário onde os jogos são transmitido para todo o Brasil e com isto aumentando a visibilidade e a possibilidade de conseguir um parceiro para estampar na camisa e assim alavancar suas receitas.
Após 25 rodadas, o Botafogo tem a liderança absoluta da competição, com quatro pontos a frente do segundo colocado e seis pontos da primeira equipe fora da zona de classificação. O clube teve apenas quatro jogos transmitidos pela Globo na competição, são eles: Vitória, Bahia, Luverdense e Santa Cruz. Até a rodada 31, o Botafogo não tem qualquer jogo marcado para o sábado e vale lembrar que isto não é um procedimento usual da emissora.
A torcida fica obrigada a seguir sua paixão em horários que deixam parte dela impossibilitada de comparecer aos estádios. Por conta da pouca visibilidade o clube fica sem os "cacifes" necessários para arrancar uma boa negociação, ainda mais em momentos de crise econômica.
Isto na verdade faz parte de um plano muito maior de transformar alguns grandes clubes, em médios e assim concentrar seus recursos no topo da pirâmide do futebol brasileiro. É o processo que chamo de elitização do futebol brasileiro. Mas a frente a emissora pagará menos pelo mesmo produto. Chegou a hora do Botafogo se juntar a outros grandes do futebol e começar a debater saídas para enfrentar esta estratégia. Outro caminho será se acostumar com um papel secundário do futebol brasileiro.
Hoje é terça-feira e jogamos às 21h30 no estádio Nilton Santos, estaremos lá com certeza apesar do horário e da violência noturna na cidade do Rio de Janeiro. Na próxima rodada jogaremos sexta-feira, às 21h30 em Minas contra o Boa Esporte,  e depois voltaremos a jogar no Nilton Santos, terça-feira, às 19 horas.
Vale tudo pelo Botafogo.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

GRANDE MÍDIA CONTINUA TENTANDO DESTABILIZAR O GOVERNO DILMA

Na última sexta-feira (11) o Jornal Folha de São Paulo publicou uma reportagem dando como certa a substituição do Ministro Aloízio Mercadante por um quadro político com passagem na base aliada e também na oposição, com o objetivo de diminuir as derrotas do governo no Congresso Nacional.

O principal objetivo desta matéria é criar mais uma crise no governo e tentar com isto paralisar as articulações políticas necessárias para aprovar as medidas que visem sair da crise econômica. É a "política do quanto pior melhor" que as elites tentam implementar no país.

No sábado (12), o Palácio do Planalto divulgou nota oficial em que desmente a reportagem da Folha de São Paulo. A nota diz que o chefe da Casa Civil da Presidência da República detém toda confiança para continuar a realizar o trabalho tão fundamental para a gestão. A nota ainda diz que o ministro tem colaborado na construção da estabilidade política, tão necessária para a retomada do crescimento econômico e para a geração de empregos e distribuição de renda.

Tudo o que a grande mídia não deseja. Que se exploda o povão! 

Fontes: Blog do Planalto e Blog dos Amigos do Presidente Lula

domingo, 13 de setembro de 2015

sábado, 12 de setembro de 2015

PALPITES DO BRASILEIRÃO - 25ª RODADA

Vamos aos meus palpites para mais uma rodada do Campeonato Brasileiro

SÁBADO - 12 DE SETEMBRO

CORITIBAXINTERNACIONAL - CORITIBA
PALMEIRASXFIGUEIRENSE - PALMEIRAS


DOMINGO - 13 DE SETEMBRO

CORINTHIANSXJOINVILLE - CORINTHIANS

PONTE PRETAXSANTOS - SANTOS

VASCOXATLÉTICO/PR - VASCO

GRÊMIOXSÃO PAULO - GRÊMIO

CRUZEIROXATLÉTICO/MG - EMPATE

CHAPECOENSEXFLAMENGO - FLAMENGO

AVAÍXGOIÁS - AVAÍ

SPORTXFLUMINENSE - SPORT

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

CADÊ OS COXINHAS PROTESTANDO?

A Câmara dos Deputados, liderada pelo deputado federal, Eduardo Cunha (PMDB/RJ) fez o esperado, votou a manutenção do financiamento empresarial nas campanha eleitorais depois que o Senado federal tinha vetado este assunto. Fica claro o que eles realmente querem é dinheiro para fazer campanhas milionárias e assim continuarem a representar o capital financeiro e não os votos de seus eleitores que são "comprados" com mimos e churrascos.

 Na manhã desta quinta (10), o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, atacou os deputados que votaram a favor das doações privadas de campanha. Fico estarrecido é ver diversos "coxinhas" calados neste momento, já que grande parte da corrupção eleitoral vem deste tipo de procedimento. Todos os dias estão nos noticiários. Vejam abaixo cópia do Twitter do Joaquim Barbosa.


quarta-feira, 9 de setembro de 2015

PALPITES DO BRASILEIRÃO - 24ª RODADA

Depois de cinco acertos na rodada passada, vamos aos palpites para a mais uma rodada do Campeonato Brasileiro da Série A.

QUARTA - 09 DE SETEMBRO

PONTE PRETAXVASCO - EMPATE

INTERNACIONALXPALMEIRAS - EMPATE

ATLÉTICO/MGXAVAÍ - ATLÉTICO/MG

FIGUEIRENSEXATLÉTICO/PR - FIGUEIRENSE

CORINTHIANSXGRÊMIO - EMPATE

SANTOSXSÃO PAULO - SANTOS

CORITIBAXFLUMINENSE - CORITIBA


QUINTA - 10 DE SETEMBRO

GOIÁSXSPORT - EMPATE

FLAMENGOXCRUZEIRO - CRUZEIRO

JOINVILLEXCHAPECOENSE - JOINVILLE